quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Floresta Laurissilva progride e Freira da Madeira extingue-se

Alterações climáticas poderão ser positivas para a floresta Laurissilva mas fatais para espécies como a Freira da Madeira

 

Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira

 

 

O aumento progressivo da temperatura média anual - os cientistas situam-na entre os 1,4 e os 3,7 graus centígrados até ao final do século - "terá um impacte negativo nos habitats de altitude", prevendo-se uma "tendência para a redução da sua implantação às zonas mais elevadas" e "num dos cenários para o seu desaparecimento no final do século".

 

"Esta redução/desaparecimento poderá levar à extinção de espécies de flora e de fauna associadas, é o caso emblemático da Freira da Madeira", avisa o estudo que visou determinar a sensibilidade do arquipélago da Madeira às Alterações Globais do Clima, no âmbito do CLIMAAT II, iniciativa científica financiada pelo programa comunitária INTERREG III-B."Contudo, surge por reflexo um impacto positivo no habitat da Laurissilva: as associações vegetais que o compõem terão tendência a estabelecer-se nas áreas anteriormente ocupadas com vegetação de altitude", uma "alternância vegetativa" que "será feita muito gradualmente", lê-se mais adiante no mesmo estudo, na elaboração do qual participaram cientistas de várias instituições, sob coordenação do Instituto de Ciências Aplicadas e Tecnologia da Faculdade de Ciências de Lisboa (ICAT).

 

Conhecer o máximo possível acerca da susceptibilidade do arquipélago da Madeira às alterações climáticas que se perspectivam até ao fim deste século, em resultado do aumento das emissões de gases com efeito de estufa para a atmosfera, foi o propósito que orientou a Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais, através da Direcção Regional do Ambiente, ao encomendar este estudo, que não deixou de ter em conta que as "ilhas são mais vulneráveis às alterações climáticas que as áreas continentais", e os "verdadeiros santuários" que possuem a nível de biodiversidade, "fruto do isolamento a que estiveram votadas desde sempre" e que "favoreceu a evolução de plantas e animais únicos nas suas características e na sua fragilidade dando a origem a endemismos", podem vir a ser afectados com a mudança de clima.E, na ilha da Madeira, de acordo com a investigação científica, "as respostas mais visíveis dos sistemas biológicos às alterações climáticas traduzir-se-ão sobretudo em deslocação em altitude e alterações às comunidades, com substituição de umas espécies por outras".

 

Os cenários estudados pela equipa liderada pelo investigador português Filipe Duarte Santos antevêem "uma provável diminuição da área actualmente ocupada com vegetação típica de altitude (Maciço Central-Oriental), com tendência para o desaparecimento da série de vegetação rupícola de altitude que será potencialmente substituída pela série de vegetação da Laurissilva temperada do til".Em relação à Laurissilva, "apesar de também sofrer aumentos de temperaturas para além dos limites das amplitudes térmicas habituais, não deverá sofrer grandes diminuições de área ocupada, principalmente por não se prever uma diminuição da humidade relativa, variável climática de grande importância para este tipo de vegetação", conclui o estudo.

 

Novas espécies

 

Já se constatam alguns indícios de possíveis efeitos das alterações climáticas nos ecossistemas do arquipélago da Madeira, nomeadamente na área marítima. Recentemente foi registado pela primeira vez o aparecimento de duas novas espécies de crustáceos decápodes: um caranguejo, Platypodiella picta e um camarão, gnathophyllum americanum, observa o estudo, lembrando que "em ambos os casos, com estes aparecimentos, foi registado um novo limite Norte no Oceano Atlântico Oriental para a distribuição destas espécies". Também no que toca aos mamíferos marinhos, é do conhecimento dos autores que têm sido "avistadas duas novas espécies de baleia para a área da Madeira, B. borealis e B. edeni, bem como um aumento do número de baleias que utilizam estas águas, podendo estar a começar a utilizá-las não só como rota migratória mas também como área de reprodução e criação" nas águas madeirenses. Convém ainda recordar que uma investigação promovida pelo Centro de Ciências do Mar do Algarve (CCMAR), dada a conhecer pelo DIÁRIO em Maio último, culminou com a descoberta de oito novas espécies de gastrópodes, na Madeira. Conduzido pelo investigador Peter Wirtz, ex-docente da UMa, este estudo decorreu ao longo do ano 2005 e, na opinião deste investigador, a presença destes animais está relacionada com o aquecimento global. Uma das espécies encontradas - um caracol de grande dimensão - dá pelo nome de "Architectonica nobilis" e tem sido avistado na zona do Caniçal.

 

Raul Caires

terça-feira, 17 de outubro de 2006

Parque Temático reformula pavilhão

A comemorar dois anos, o espaço localizado em Santana aposta assim na gestão de conteúdos

 

Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira

 

 

O Parque Temático da Madeira, que comemorou no passado fim-de-semana dois anos de actividade, vai reformular em breve um dos quatro pavilhões que possui, mais precisamente o Futuro da Terra, depois de ter no ano passado introduzido alterações no Viagem Fantástica.

 

O Futuro da Terra é um espaço fechado atravessado por uma passerele audiovisual, onde o visitante assiste a um espectáculo multimédia projectado para as quatro paredes sobre o planeta, com o objectivo de sensibilizar para a necessidade de defender e preservar o ambiente e os recursos naturais. É também um espaço de consciencialização e de esperança. De acordo com Tiago Freitas, a ideia não é substituir, mas acrescentar conteúdos, mantendo o Parque como um espaço de interesse e aprendizagem para toda a família. Além destes dois, o Parque possui outros dois pavilhões: Um Mundo de Ilhas, as Ilhas no Mundo e Descoberta das Ilhas, a par de jardins e outros pontos de interesse que justificam uma visita de um dia.

 

Desde que abriu, já passaram pelos seus sete hectares cerca de 180 mil pessoas. O objectivo é atingir as 200 mil até ao final do ano, disse o director. A direcção do espaço de diversão em Santana organizou um programa especial para assinalar o segundo aniversário, onde não faltaram o bolo e o fogo-de-artifício, para além da música, com a participação de grupos de folclore, bandas filarmónicas, animação cultural, palhaços, pinta-faces, saltimbancos, malabaristas, personagens gigantes e lançadores de fogo. No sábado actuou o grupo Lírios do Norte. No domingo foi a vez do Grupo de Folclore de Santana e da Banda Filarmónica do Faial. A par das actuações, os visitantes tiveram a possibilidade de aceitar o desafio e partir à descoberta do artesanato em diferentes ateliers montados para este fim. É que o Parque Temático da Madeira oferece, com a ajuda de um grupo de artesãos, a possibilidade de pôr mãos à obra e criar pequenas peças de artesanato, desde a pichelaria ao bordado, passando pela olaria, tecelagem, pelos bonecos de palha de milho e pelos tradicionais vimes. No final, pode ainda levar a peça produzida como recordação. Os dois anos foram assinalados com um bolo gigante especial que flutuava no lago e com fogo-de-artifício, logo após o cantar de parabéns, nos dois dias. Todos os visitantes foram convidados a comemorar com bolo e champanhe a passagem de mais um ano de actividade. O Parque Temático da Madeira funciona entre as 10h00 e as 19h00. Tem multibanco e parque de estacionamento gratuito.

 

Paula Henriques

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

As visitas de John dos Passos à Madeira

Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira

 

 

Na quinta-feira, assinalou-se o 36.º aniversário da morte do eminente escritor americano John dos Passos (1896-1970). evocamos aqui as suas visitas à ilha da Madeira. Manuel Joaquim dos Passos, avô paterno do eminente escritor, era natural da Ponta do Sol, aonde nasceu em 1816. Segundo os registos de passaportes guardados no Arquivo Regional da Madeira, a 8 de Outubro de 1830, contando então 14 anos de idade, tirou o passaporte com destino a Gibraltar, seguindo no bergantim americano "Alcyon" em trânsito para aos Estados Unidos. Tendo aportado em Baltimore, acabou por radicar-se em Filadélfia. Ali contraiu matrimónio com uma senhora americana e dessa união nasceram vários filhos, um dos quais viria a ser um prestigiado advogado, John Randolph dos Passos (1844-1917).

 

Este causídico também escreveu vários livros, entre os quais destacamos os seguintes: "The inter-State Commerce act; an analysis of its provisions" e "The Anglo-Saxon Century and the unification of the English-speaking people". Este prestigiado jurisconsulto efectuou uma viagem à Madeira em 1905. Na sua edição de 10 de Maio desse ano, o Diário Popular, então publicado no Funchal, publicou o seguinte texto acerca dele: «Tem o sr. Dr. Passos um particular afecto pelo nosso país, pois na visita que em Lisboa fez ao nosso monarca, a quem foi apresentado pelo ministro americano, disse ao sr. D. Carlos que se honrava em ser um 'português-americano'. [...]

 

Na Madeira também foi sua exa. Visitar o venerando prelado funchalense e a Câmara Municipal, manifestando o mais vivo interesse por tudo quanto diz respeito aos negócios da nossa terra. Como é natural, são gratíssimas as impressões que o sr. Dr. Passos leva do nosso país, especialmente da Madeira, onde nacionais e estrangeiros lhe fizeram o mais lisonjeiro acolhimento. O sr. Dr. John R. Dos Passos conta partir hoje no 'Heidelberg' para Lisboa, de onde regressará à América, prometendo contudo voltar à Madeira oportunamente. Felicitando o grande português-americano e a sua distinta família, desejamos-lhe cordialmente uma óptima viagem, fazendo votos para que de novo volte a esta terra, que o estremece como se fosse a sua verdadeira pátria.» Apesar do seu ensejo e dos votos manifestados pela imprensa, nunca mais regressaria à ilha que um dia vira nascer o seu progenitor. Apesar de não ser referido na imprensa coeva, John Roderigo dos Passos (1896-1970) acompanhou o seu pai nesta visita, como o próprio refere no prefácio do livro "The Portugal Story": «Embora eu fosse educado sem qualquer conhecimento da língua portuguesa, a minha família não perdera por completo o contacto com os parentes do meu avô, na Madeira. O meu pai, embora falasse apenas um pouco de francês, além do inglês, nunca se esqueceu de que era meio português. Tinha oito anos quando ele me levou ao Funchal. Lembro-me das visitas de um primo idoso que me dava, no jardim do velho Reid's Hotel, uma lição diária de latim».

 

A segunda visita de John dos Passos à Madeira ocorreu em 1921.Curiosamente, partiu de New Bedford - cidade do Estado de Massachusetts onde se radicaram inúmeros emigrantes madeirenses - a bordo do 'Mormugão', um navio da companhia Transportes Marítimos do Estado (que fez várias viagens entre Lisboa, Madeira, Açores e a cidade baleeira).

 

Estando em trânsito a caminho de Lisboa, aproveitou a breve escala na ilha para fazer de cicerone pelas ruas do Funchal a E. E. Cummings, seu companheiro de viagem, como refere na sua obra autobiográfica "Best Times". Quase 50 anos depois, num artigo patente na secção 'Voz Literária' do jornal Voz da Madeira de 10 de Janeiro de 1950 encontrámos uma notícia sobre John dos Passos relativa a uma entrevista que o prolífico autor dera a um jornal brasileiro onde terá afirmado: «Desejo voltar à Madeira, para mostrar a ilha à minha filha» e ainda «Visitarei a Ponta do Sol, onde o meu avô exerceu a profissão de sapateiro». A simplicidade de John dos Passos e a referência às humildes origens do seu avô mereceu o seguinte comentário do jornalista: «Exemplo curioso e significativo para tantos que, às vezes, querem esconder a modéstia dos seus antepassados»!

 

Com efeito, a terceira visita de John dos Passos à Madeira ocorreu em 1960, dez anos antes da sua morte. Por essa altura, o autor da famosa trilogia "U. S. A." era já um escritor consagrado no panorama literário norte-americano e mundial, tendo muitas das suas obras traduzidas em várias línguas. Seguidamente exporemos, em breves traços, a cobertura mediática que o Diário de Notícias deu a esta visita. O anúncio da sua chegada para breve foi veiculado na edição de 7 de Julho deste órgão informativo regional nestes termos: «Com uma obra romanesca que lhe deu celebridade mundial, John dos Passos, em cujas veias corre sangue português, é hoje com Hemingway, Faulkner, Caldwell e alguns mais, um dos vultos notáveis das letras norte-americanas. Vê-lo-emos brevemente na Madeira, onde passará uma temporada em gozo de férias. A sua chegada está anunciada para meados do corrente mês.» Alguns dias depois, na edição de 12 de Julho do mesmo matutino era referido que o escritor já se encontrava em Lisboa a aguardar transporte para a Madeira.

 

O correspondente deste jornal na capital subscreveu ainda estes pensamentos: «O que há de mais interessante para nós, madeirenses, é o saber-se que ele é filho do maior advogado da Casa Morgan, que há três quartos de século financiava os estudos europeus nas horas de crise, esse filho do madeirense Passos, da Ponta do Sol, que muito novo seguiu para a América a tentar fortuna. O grande escritor norte-americano vai à Madeira em romagem de saudade». A 18 de Julho o Diário de Notícias publicou uma entrevista feita pelo seu redactor ao prolífico escritor, que começara por desculpar-se por não poder falar português. Instado a pronunciar-se sobre se teria parentes na Madeira, John dos Passos respondeu afirmativamente: «Sim. Tenho muitos primos. A nossa família é muito grande. O meu avô emigrou para os Estados Unidos, um irmão dele foi para o Brasil e outros ficaram cá. Assim, tenho agora parentes aqui, em Lisboa, nos Estados Unidos e no Brasil.»

 

O escritor acrescentou ainda que «Nestes próximos dias irei à Ponta do Sol, terra dos meus antepassados, ver toda a família que ali vive.» A conversa recaiu depois sobre literatura. Falando dos seus projectos para o futuro, este ilustre luso-descendente referiu que tinha em mente a redacção de «um livro de ensaios sobre a Cultura portuguesa e os seus reflexos no Brasil e pelo mundo.» Questionado acerca da duração desta sua visita à Madeira, John dos Passos retorquiu: «Apenas uma semana. Depois, o regresso à minha casa, numa localidade perto de Washington, e o regresso ao trabalho: o livro sobre Cultura portuguesa e outros»A 19 de Julho este mesmo jornal publicou uma pequena nota anunciando que Joaquim Sequeira Cabrita, edil pontasolense, e o Dr. João Sebastião Ferreira, primo do escritor, acompanhados pelas respectivas esposas, tinham ido ao Reid's Hotel convidar John dos Passos para uma festa de homenagem em sua honra que teria lugar nos Paços do Concelho da Ponta do Sol. No dia seguinte o escritor visitou aquele concelho, acompanhado da sua esposa, Mrs. Elizabeth Hamlin Holdrige, e sua filha Lucy. Os ilustres visitantes começaram por almoçar na casa dos seus antepassados «num ambiente fraternal» onde «foram evocadas passagens longínquas dos antepassados do sr. John dos Passos.»

 

Após o repasto, estes ilustres visitantes assistiram à sessão solene em sua honra levada a efeito na Câmara Municipal onde, segundo referiu a imprensa coeva, marcaram também presença os «elementos mais representativos» da Ponta do Sol. Um dos momentos altos desta cerimónia foi a leitura, pelo edil pontasolense, de um longo discurso, do qual apresentamos apenas alguns breves excertos: «Encontra-se reunida nesta sala de tantas tradições a grande família Pontasolense com o fim de homenagear o eminente escritor americano John dos Passos, que nos deu o grande prazer de visitar a terra que serviu de berço ao seus antepassados. […] O sr. John dos Passos é um dos mais fecundos escritores do seu País e de renome mundial. É bacharel formado em arte em 1916 pela universidade de Harvard. Tem percorrido quase todo o mundo e os seus livros traduzem quase todas as realidades da vida, especialmente da americana. […] E para que este dia fique assinalado na história Pontasolense deliberou mais a Câmara colocar na casa onde nasceram os ascendentes do sr. John dos Passos, e que hoje pertence aos herdeiros do Dr. Fortunato Pita, esta inscrição: «Nesta casa nasceram os ascendentes do eminente escritor americano que visitou este concelho no dia 20 de Julho de 1960 - Homenagem da Câmara Municipal.»

 

No final desta sessão solene John dos Passos dirigiu algumas palavras de agradecimento a todos os presentes e leu um discurso de agradecimento, do qual retirámos alguns trechos: «Desculpem eu não falar a língua dos meus avós. Como sabem o meu avô deixou a Ponta do Sol há muito mais de cem anos. É deveras enternecedor para mim ser recebido com tão grande gentileza e consideração. […] Mais tarde meu pai tornou-se cada vez mais interessado a respeito da Madeira e das suas raízes portuguesas. Quando eu tinha oito anos trouxe-me, por algumas semanas ao Funchal. Assim quando aqui cheguei há dias reconheci os rochedos cor de púrpura, o mar azul, os mergulhadores e as pequenas lagartixas que correm através dos jardins do Reid's Hotel. Recordo a amável hospitalidade de amigos e parentes da Madeira.»

 

No fim desta cerimónia foi oferecido a John dos Passos dois exemplares do livro "Ilhas de Zarco", da autoria do Pe. Eduardo Nunes Pereira. Após a cerimónia solene, o escritor visitou a "Villa Passos", a casa dos seus antepassados sita à Rua Príncipe D. Luís I, que também visitara quando tinha vindo à Madeira acompanhado pelo seu pai no início do século passado. Depois desta visita, seguiu-se um «primoroso chá, que decorreu num ambiente distinto» no Club Recreativo Pontasolense.Segundo referem as edições do Diário de Notícias de 23 e 24 de Julho, durante a permanência de John dos Passos na Madeira, este ilustre escritor visitou a Junta Geral - à altura presidida pelo Dr. João de Lemos Gomes - tendo-lhe sido oferecidos vários livros sobre a Madeira editados por este organismo. Num gesto de boa vontade para com o insigne visitante esta entidade governativa proporcionou-lhe dois passeios de automóvel pelo norte da ilha. O ilustre escritor norte-americano foi ainda recebido pelo Chefe do Distrito, João Inocêncio Camacho de Freitas, que o obsequiou com um "Madeira de honra". John dos Passos visitou ainda o Arquivo Distrital, onde obteve uma certidão de nascimento do seu avô paterno, natural da Ponta do Sol. Este visitante teve ainda a oportunidade de trocar umas breves impressões com o Pe. João Vieira Caetano, pároco daquele concelho, que lhe ofereceu um dos seus livros. Antes da sua partida, o prolífico escritor, recebeu de Joaquim Sequeira Cabrita, presidente da Câmara Municipal da Ponta do Sol, um álbum fotográfico contendo uma colecção de fotografias da cerimónia de homenagem com que fora distinguido na Câmara Municipal da Ponta do Sol. Seguidamente, John dos Passos, acompanhado pela sua esposa, filha e ainda pelo edil pontasolense, dirigiu-se à redacção do Diário de Notícias a fim de «agradecer as referências que lhe fizemos a propósito da sua estadia entre nós e, ao mesmo tempo, manifestar-nos a profunda impressão de agrado que levava da nossa terra - das suas belezas naturais, do acolhimento caloroso que aqui recebera.»

 

Por sua vez, este matutino referiu o seguinte: «Sensibilizou-nos o gesto de John dos Passos, a quem desejamos excelente viagem no seu regresso aos E.U.A». O escritor e sua família deixaram a Madeira a 23 de Julho de 1960, a bordo do 'Ascania'. Terminou assim a «romagem de saudade» de John dos Passos - como foi apelidada pela imprensa da época - em busca das suas raízes insulares.

 

Duarte Mendonça (texto) / D.R. (fotografia)

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Bananeira valorizada

Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira

 

A bananeira está a ser estudada no Centro de Estudos da Macaronésia desde 1998, e revela potencialidades variadas 

 

 

A bananeira produzida na Madeira está a ser alvo de estudo no CEM (Centro de Estudos da Macaronésia), desde 1998. A responsável é a professora Nereida Cordeiro, docente da Universidade da Madeira, cujos interesses científicos se centram na Química e Tecnologia dos Materiais Agroflorestais. O seu grande "motor" de investigação é o aproveitamento de resíduos. Nos últimos anos os projectos que desenvolveu incidiram nesta vertente, com destaque para o estudo da cortiça e a bananeira. Em 1998, concluiu na Universidade de Aveiro o doutoramento sobre o "Fraccionamento da cortiça e caracterização dos seus componentes. Estudo de possibilidades de valorização da suberina". Analisou a valorização dos seus resíduos, atendendo à importância económica da cortiça em Portugal. Na ilha, como professora da UMa e investigadora do CEM, pensou em resíduos produzidos na Madeira que pudessem ser aproveitados. Entre duas hipóteses: a vinha e a bananeira optou pela última. As primeiras experiências com esta planta decorreram em 1998. «Comecei, por brincadeira, a fazer papel a partir do pseudocaule (tronco). Os resultados foram positivos quer em termos de produção, quer a nível de propriedades mecânicas, principalmente para o fabrico de cartão e papel reciclado, devido à cor ligeiramente castanha que apresenta. Consideramos que estas duas aplicações são as mais viáveis, pois embora o branqueamento seja fácil constitui mais um custo», explica a investigadora. «A ideia inicial era juntar os resíduos de papel que a Madeira envia para o Continente - e que têm custos - com as fibras de bananeira e produzir papel reciclado», acrescenta.

 

O projecto, apesar de tecnologicamente viável, esbarrou com obstáculos financeiros e não teve continuidade. «Para a instalação da empresa são necessários grandes investimentos. Em 1998 concorri a um projecto da FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia) que o canalizou para a AdI (Agência de Inovação), devido à sua componente de aplicação industrial. Tentei que uma empresa na Região, com viabilidade económica, concorresse aos fundos da Agência de Inovação, mas não foi possível».

 

Embora o projecto não tenha avançado, a ideia de continuar a valorizar os resíduos da bananeira continuou. Nereida Cordeiro orienta o doutoramento em fase de conclusão de uma aluna madeirense, Ana Lúcia Oliveira, intitulado "Extracção e caracterização estrutural dos constituintes da bananeira (Dwarf Cavendish)". Financiado pela FCT é co-orientado pela professora Isabel Torres, da UMa, e pelo professor Armando Silvestre, da Universidade de Aveiro. «Os resíduos agrícolas produzidos pelo processamento comercial do cultivo das plantas são normalmente considerados como tendo um baixo valor comercial e representam quase sempre um problema para a sua eliminação. No entanto, estes materiais, na maioria dos casos, podem representar uma abundante, barata e facilmente disponível fonte renovável de biomassa lenhocelulosica aplicável em diferentes áreas», destaca a professora A bananeira é uma dessas matérias-primas. Após o corte do cacho, é produzida uma grande quantidade de resíduos agrícolas, os quais são usualmente deixados no solo para serem usados como material orgânico. Na sua perspectiva, «o desenvolvimento de novas aplicações para estes resíduos podem constituir uma fonte adicional de rendimento para os produtores de banana e para a economia regional». A investigadora salienta que, para o desenvolvimento de novas aplicações, foi necessário colmatar a lacuna existente relativamente ao conhecimento sobre a constituição química da bananeira. A nível do referido doutoramento «foi efectuado um estudo detalhado sobre a composição química das diferentes partes morfológicas da bananeira, um conhecimento que é crucial para a definição de possíveis áreas e racionalização de processos dos resíduos da bananeira».

 

Conforme explica, a planta foi fraccionada em cinco partes morfológicas (limbos, bainhas foliares, talos, nervuras/pecíolos e rachis) e caracterizadas química e estruturalmente. Os componentes macromoleculares (lenhina, açúcares, extractáveis...) foram estudados para incorporação em novos materiais. «Os estudos revelam que os limbos apresentam elevado teor de extractáveis lipídicos. O elevado conteúdo em esteróis glicosídicos, ácidos insaturados e ácidos tipo cinamicos, faz com que esta planta possa ser considerada uma fonte valiosa de fitoquímicos que podem ser usados em alimentos funcionais, ou seja, que contêm substâncias ou nutrientes com benefícios para a saúde, seja como prevenção ou tratamento de doenças». Sabemos que os esteróis glicosídicos pertencem à família dos fitoesteróis (esteróis vegetais), que têm sido intensamente estudados nas últimas décadas pelos seus variados benefícios para a saúde (em particular a sua capacidade de baixar o colesterol sanguíneo) quando incluídos na dieta humana.

 

Para além disso, recentemente, estes compostos têm merecido especial atenção descobrindo-se numerosas aplicações farmacológicas tais como anti-inflamatório, anti-mutagenico e com actividades anti-cancerígenas, acrescenta.«Visto que existe um crescente mercado à procura de alimentos funcionais enriquecidos em fitoesteróis como complemento às dietas normais, a identificação desta nova abundante fonte vegetal pode ser um bom contributo para esta crescente procura e um importante contributo para a valorização dos resíduos provenientes do cultivo e processamento da banana», admite a investigadora.

 

Embora a bananeira tenha sido o principal alvo de estudo, a banana foi analisada. Contém também grande quantidade dos referidos compostos e de anti-oxidantes. A casca foi igualmente estudada na perspectiva de aproveitamento de resíduos. As investigações prosseguem. Há dois meses teve início um projecto em ligação com o Centro de Bananicultura da Madeira que pretende estudar as diferentes variedades de banana que são ali produzidas com objectivo de mostrar quais as mais ricas nestes tipos de compostos. Nereida Cordeiro está também envolvida noutro estudo a nível agrícola. Orienta o mestrado de Lucília Sousa, intitulado "Estudo do processo de amadurecimento da Anona Cherimola Mill na Ilha da Madeira". Financiado pelo CITMA, tem como objectivo estudar as transformações químicas e correlacioná-las com as transformações genéticas que acompanham o amadurecimento deste fruto no sentido de encontrar um mecanismo para prolongar o período de comercialização da anona.

 

«Quem comercializa as anonas queixa-se que o fruto amadurece facilmente e não chega em condições ao consumidor. A ideia é perceber o processo de amadurecimento e tentar bloqueá-lo». O mestrado começou em Outubro de 2005, e a escrita da monografia está na fase final. Foram estudadas as transformações químicas. «Sabemos que, por exemplo, quando a anona está verde tem uma grande quantidade de amido. Depois, após a colheita, ao terceiro dia de amadurecimento, há um aumento muito significativo dos açúcares livres com o consequente amolecimento do fruto. Percebendo que se dão estas transformações químicas e observando em termos enzimáticos o que acontece, podemos utilizar produtos para bloquear as enzimas intervenientes e assim retardar o amadurecimento», explica. A sua grande aposta no momento é no equipamento de iGC (Cromatografia de Gás inversa) que lhe foi atribuído como investigadora e à sua unidade de investigação, no âmbito de um programa de re-equipamento científico da FCT, no valor de 168 mil euros. «A UMa tem desde Julho o único equipamento de iGC em Portugal que permite fazer análises inovadoras em termos de caracterização de superfícies. Permite prever o tipo de reacções que irão acontecer num determinado processo. As potencialidades de aplicação são imensas. Em termos industriais este equipamento é muito utilizado nas indústrias farmacêuticas e alimentares, pois a junção dos vários componentes implica o seu estudo de modo a obter boa compatibilidade. Possibilita também estudar catalisadores usados em reacções químicas». Nereida Cordeiro espera que o novo equipamento abra novas perspectivas de colaboração com outras universidades nacionais e internacionais.

 

Considera que o facto de estar na ilha condiciona a investigação na área dos resíduos. «Por isso aceito sempre novos desafios, aplicando os conhecimentos de Química analítica a outras áreas. Mas, o que mais limita é a falta de alunos com vontade de seguir a carreira de investigação, porque não é fácil». Na sua opinião «o desinteresse dos jovens manifesta-se pela instabilidade de emprego. Os investigadores vivem das bolsas durante vários anos e quando terminam têm que começar de novo sem garantias. Esta é a realidade... Depois, há a mentalidade que o emprego é para o resto da vida. Muitos dos nossos alunos ainda têm essa ideia. Às vezes, têm possibilidade de conseguirem uma bolsa bem paga, mas não querem porque não é emprego fixo». Em termos de empreendorismo, neste momento, Nereida Cordeiro é também um dos três promotores da empresa Indaircontrol sediada no CEIM (Centro de Empresas e Inovação da Madeira).

 

Trata-se do primeiro "spin-off" do seu centro de investigação, ou seja «utilizámos os conhecimentos adquiridos na investigação e transformámo-los numa empresa. É o sonho de qualquer investigador transformar a sua investigação em mais valia para o país». A Indaircontrol foi criada este ano com a ideia empregar alunos com altas qualificações (mestrados e doutoramentos) e neste momento integra professores e investigadores. A empresa obteve o prémio NEOTEC da Agência de Inovação, entidade que dá o apoio financeiro inicial, e conquistou o "Prémio Madeira de Inovação Empresarial 2005". Conforme explica a investigadora, responde à legislação emitida em Abril passado que obriga as empresas e instituições a controlarem a qualidade do ar no interior. «Muitas vezes pensamos que o ar só está poluído lá fora. No entanto, dentro das casas, chega a estar cem vezes mais poluído do que na rua. Devido às especificidades dos membros da equipa, vamos orientar a empresa para as alergias, na medida em que a Madeira apresenta a maior percentagem de casos do país. A empresa propõe-se ir a casa das pessoas detectar as possíveis fonte de alergia e indicar acções para remediar», conclui a investigadora.

 

B.I.

 

 

Nome: Nereida Maria Abano CordeiroNaturalidade: AngolaIdade: 35 anosPercurso académico e profissional: Licenciatura em Química Analítica pela Universidade de Aveiro, em 1993. Doutoramento em Química sobre o "Fraccionamento da cortiça e caracterização dos seus componentes. Estudo de possibilidades de valorização da suberina", pela Universidade de Aveiro, em 1998. Iniciou a sua actividade docente em 1993, como Monitora do Departamento de Química da Universidade de Aveiro. Em 1995, foi contratada como assistente convidada do Departamento de Química da Universidade da Madeira. Actualmente exerce funções de professora associada da UMa e é investigadora do CEM (Centro de Estudos da Macaronésia).

 

Teresa Florença (texto) / Teresa Gonçalves e DR (fotografia)

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Pescadores e restaurantes estão sem espada-preto

 

 

Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira

 

Capturas estão no nível mais baixo da última década (-24%), o preço subiu 40% pelo que o prato típico está ameaçado

 

 Nunca se pescou tão pouco peixe-espada preto como neste ano. As estatísticas oficiais reconheciam uma quebra de 23,4% no primeiro trimestre, mas a partir de Março esse valor é substancialmente superior, com uma ameaça de rotura no fornecimento para a restauração, com as unidades hoteleiras em dificuldades para manter o filete de espada como uma referência dos seus menus. Desde 1998 que os pescadores madeirenses têm vindo a capturar menos peixe-espada preto. Oito anos depois, as capturas são inferiores em quase 30%, ainda que a frota local seja maior e melhor apetrechada.

 

QUEBRAS ATINGIRAM OS 35%

 

Embora os responsáveis políticos prefiram falar dos valores da remuneração, que efectivamente tem vindo a aumentar ao longo da última década, ainda que no ano passado o valor do peixe-espada preto transaccionado (6.486.417 euros) tivesse sido 9% inferior ao volume de negócios gerado no ano 2004 (7.057.642), o que é facto é que a restauração necessita de peixe-espada, isto se quiser manter no menu um dos pratos de referência da gastronomia madeirense. Pelo que foi possível apurar, no primeiro semestre deste ano confirmou-se a quebra que se vinha registando desde o início da década, na ordem dos 24%, com os meses de Março (-26%), Abril (-35%), Maio (-17%) e Junho (-27%) a precipitarem uma descida nas descargas, ainda que em Julho (-10%) e Agosto (-1%) a quebra tivesse sido bem mais pequena.

 

Depois do ano passado se terem verificado safras de fartura, com incidentes na lota, os armadores chegaram a acordar a proibição de deixarem os aparelhos na água a pescar enquanto iam descarregar à lota, com registo do dia de saída e de chegada das embarcações, de modo a evitar fainas de mais de 8 dias, reduções estas que não faziam prever a crise a que se chegou.

 

Segundo os pescadores, no ano passado num lance conseguia-se cerca de 700 espadas. Agora, num mesmo lance vêm apenas 120. Antes um barco trazia entre 3.000 a 4.000 espadas por cada saída de 10/11 dias, agora se trouxer 1.000 a 1.500 espadas tem de se dar por satisfeito. O facto de haver pouco peixe tem obrigado, também, a que a faina decorra para além das habituais trinta milhas, obrigando os pescadores a navegar até às oitenta milhas, o que acarreta mais custos e menos idas ao mar.O facto dos últimos meses terem sido os piores dos últimos vinte anos levou a uma ameaça no fornecimento a restaurantes e hotéis, que começam a ver as suas encomendas parcialmente satisfeitas e em timings diferentes daqueles que no passado aconteciam.

 

PREÇO SUBIU CERCA DE 40%

 

Com menos peixe, pescadores e compradores estão envolvidos numa guerra de preços, pelo que o valor hoje praticado é 40% superior, com o filete pago a 7,5 euros e o rolo acima dos seis euros, valores que naturalmente condicionam os que consomem centenas de quilos por mês de peixe-espada preto, para mais quando têm outras opções bem mais baratas, o que leva a que muitos restaurantes tenham retirado do menu o tradicional filete de espada.

 

Obviamente que os recursos piscícolas e o comportamento do peixe-espada preto - espécie que se pode encontrar em vertentes continentais ou elevações submarinas (600 a 1.600 metros de profundidade) entre o Atlântico Norte, Islândia e até Canárias - é explicado pelas variações da temperatura das águas e fontes de alimentação, entre outras razões, com a gestão dos "stocks" a se constituir como o grande desafio do homem nos tempos que correm, pois os recursos não são ilimitados.

 

PESCAR NA DESOVA É AMEAÇA

 

A situação que se vive na Madeira é explicada, também, pela circunstância dos melhores meses de captura ocorrerem entre Outubro e Dezembro, período da desova, o que vem impedindo a reprodução da espécie e a manutenção dos stocks, até porque as ovas são comercializadas como se de caviar se tratasse, atingindo os 10 euros ao quilo, o que interessa sobretudo à industria transformadora.Para além dos interesses dos pescadores e armadores na gestão dos recursos piscícolas até serem antagónicos, o que agora está em causa é todo o sector da restauração, bem como as empresas associadas ao sector, pois as exportações estão em queda e até a importação dos Açores não suprime a falta de peixe, pois hoje há menos 40% de espada açoriana, porque a crise também afecta este arquipélago.Se o ganha-pão dos pescadores e o êxito empresarial dos armadores estão ameaçados, a circunstância de não haver uma política de defesa dos recursos piscícolas - com a proibição da pesca no período da desova - ameaçam, agora, a restauração e com isso a qualidade e identidade da gastronomia e por via disso o turismo.

 

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

Uma Quinta com vida

Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira

 

Existe para fazer as delícias dos amantes da natureza, mas, em especial no Verão, depara-se com um problema: a falta de água. A Quinta das Palmeiras, é, por assim dizer um oásis que apesar de todas as circunstâncias ainda (sobre)vive no Porto Santo.

 

 

A Quinta das Palmeiras, localizada no sítio dos Linhares, no Porto Santo, assume-se como uma alternativa à praia.Alí respira-se ar puro, convive-se com muitos animais de várias espécies e ainda sobra tempo para alguns dedos de "conversa" com o papagaio (de nome Vip) que se encontra logo à entrada da Quinta a dar as boas-vindas aos visitantes.

 

Actualmente, os Italianos e os portugueses são os grupos de turistas que mais visitam o "pequeno" paraíso porto-santense, dotado de uma área aproximada de de 5.380 metros. Por ser "um projecto diferente", diz Carlos Afonso, o proprietário que gere a Quinta com a sua esposa, nunca conseguiu apoios por parte de empresas para dar vida ao sonho. Ainda assim, o espaço começou a tomar forma. Cresceu não só em extensão como também em número de espécies exóticas que habita, no mini-zoo. Carlos Afonso remou contra tudo e contra todos.

 

Recebeu "escassos apoios" por parte de pessoas que não o incentivavam a prosseguir com a concretização dos objectivos.

 

Passados dez anos, diz o proprietário da quinta, são as próprias pessoas que exigem: "Tens de ter isto, ou aquilo; tens de fazer; tens de gastar".

 

Nunca fala em valores, nem muito menos no dinheiro que gastou. Prefere dar a conhecer os planos para o futuro. Mas Carlos Afonso assume: "Tenho gasto uma grande fortuna. É tudo feito com o meu dinheiro", diz com orgulho. "O dinheiro investido dava para construir um grande prédio, só em betão. Tenho noção de quanto gastei mas se começo a falar em números, as pessoas vão dizer que estou maluco", explica. São muitas as ideias para tornar o espaço mais atractivo. As melhorias a serem feitas dizem respeito aos jardins "mas só as faço quando há possibilidade de injectar dinheiro". No entanto, está ciente de todos os obstáculos e dificuldades que podem impedir e/ou atrasar a concretização das ideias. "Tenho a consciência de que vai demorar um pouco porque sou só eu, com a ajuda da minha mulher, a deitar mãos nisto", lamenta. Ao visitar a Quinta das Palmeiras, o utente tem ao seu dispôr uma variedade inquatificável de plantas.

 

Muitas integram o extenso leque da Laurissilva madeirense. Como a Otília, o Pau-Branco. Há um espécie, com dois exemplares, em que um está na Quinta e outro está na Madeira. "Ainda não está identificada e resultou de uns testes que em tempos realizaram", explicou. Plantas e animais "disputam" o mesmo habitat.

 

Cada um sabe o espaço que lhe é reservado e aqui não há vizinhos que incomodam.Os animais, a maioria exóticos, estão na Quinta para criar uma melodia e acompanhar os visitantes. Mas, o objectivo de Carlos Afonso é o de ter todos os animais soltos, apesar de alguns já andarem livres pelo mini-zoo. Além de "animarem" os visitantes que chegam ao local para visitar a Quinta, "estas aves" assumem uma importância extrema no combate às pragas que atacam o arvoredo.

 

"Eu tenho andado em muitos jardins como este, por exemplo nas ilhas Canárias, e nunca se encontra os periquitos soltos no recinto. É difícil. Claro que tenho alguns pássaros em gaiolas, tenho de os ter, por serem animais caros, mas é uma natureza diferente". Pombas, Rolas, Mandarins, Papos-laranja (pássaros pequenos que são difíceis de se ver pois, quando voam, assemelham-se a borboletas), canário de moçambique. São alguns dos pássaros que quase formam uma orquestra bem afinada.

 

A falta de água

 

Manter uma Quinta em constante movimento e com vida é preciso água. Muita água. A seca que assola o Porto Santo, essencialmente no Verão, coincide com a altura do ano em que a Quinta recebe mais visitantes."É uma pena", desabafa Carlos Afonso. "Eu andei vários meses à procura de uma planta. Quando consegui, tenho dois três meses de seca, sem água e, como é óbvio, a planta que demorou meses a ser encontrada acaba por secar". Em horário de verão a quinta está aberta todos os dias, num horário compreendido entre as 10h00 e as 18h00. "É natural que quando não há água na Quinta eu tenho de encerrá-la", disse. "Neste momento, a Europa está a arder. E, em muitos países, as temperaturas estão altíssimas", explicou. Face a estes acontecimentos, o desânimo começa por tomar conta do proprietário da Quinta. "Eu começo a pensar: todo o trabalho que estou a fazer, será que isto vai ter futuro", questiona. Num ápice, o desânimo dá lugar ao ânimo e as ideias para alterar o erspaço surgem em cadeia.

 

"O que eu gostava de fazer é evitar que o sol penetrasse na Quinta e que a copa das árvores transformassem sombra natural no recinto. Gostava que no Verão as pessoas chegassem aqui e se sentissem bem", refere Carlos Afonso. Mas para que tal seja possível, o proprietário da Quinta das Palmeiras diz que "é preciso água".

 

Se actualmente o problema da falta de água no Porto Santo já é evidente, daqui há alguns anos "as pessoas vão andar à caça da água".

 

Carlos Afonso refere que, presentemente, "a chuva que cai na ilha vai para o mar e não é aproveitada". A solução seria criar grandes lagoas artificiais "que pudessem servir de reservatórios". Na opinião do dono da Quinta, o trabalho tinha de ser desenvolvido pelo Governo Regional e não pelos particulares.Problemas à parte, a Quinta das Palmeiras continua a ser um pretexto para passar uma hora com o mais puro do que a natureza pode oferecer. Já que continuam a alertar para o perigo da exposição solar prolongada, naquele mini-zoo o problema já não se coloca.

 

Filipe Gonçalves

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

RESTAURANTE TROPICAL


 


 


Sem dúvida um dos melhores restaurantes do Funchal, com um espaço amplo e agradável. Fica no hotel Florassol, mas tem entrada completamente independente, desde a rua (Estrada Monumental, depois do Lido, de quem vem do Funchal).


 



 


Tem uma lista infindável, com dúzias de pratos! Entre as especialidades recomendam-se os flambeados, superiormente executados pelo Sr. João (na foto). Mas toda a confecção é boa. E para crianças há mini-filete (filet mignon), mini-espada e mini-espetada.


 




Os meus preferidos são o peixe-espada flambeado com champagne, o bife com pimenta flambeado e o filet mignon à Bahgdad. (na foto) Trata-se de um bife cujo molho leva para além de várias variedades de bebidas alcóolicas, natas, passas, uvas e cogumelos. Uma delicia!


 



 

Música ao vivo todas as noites, no verão. Tem também catering; para quem possa deve ser excelente um jantar servido em casa por estes senhores!Estrada Monumental, 306, 4.º - 9000-236 FunchalTelefone: (+351) 291.700.840 - Fax: (+351) 291.763.818

terça-feira, 1 de agosto de 2006

FRUTAS DA MADEIRA


 


No sentido dos ponteiros do relógio: banana prata, abacate, papaia, maracujá banana, fruto delicioso (ou maravilha), manga, outro maracujá banana, maracujá tomate e maracujá (simples) ao centro.

sexta-feira, 21 de julho de 2006

POMBA BRANCA - MAX

Pomba branca pomba branca


Já perdi o teu voar


Naquela terra distante


Toda coberta pelo mar


Pomba branca pomba branca


Já perdi o teu voar


Naquela terra distante


Toda coberta pelo mar


Fui criança e andei descalço


Porque a terra me aquecia


E eram longos os meus olhos


Quando a noite adormecia


Vinham barcos dos países


Eu sorria vê-los sonhar


Traziam roupas felizes


As crianças dos países


Nesses barcos a chegar


Pomba branca pomba branca


Depois mais tarde ao perder-te


Por ruas de outras cidades


Cantei meu amor ao vento


Porque sentia saudades


Saudades do meu lugar


Do primeiro amor da vida


Desse instante aproximar


Os campos do meu lugar


À chegada e à partida


Pomba branca pomba branca.


 


Maximiano de Sousa (Max) e Vasco de Lima Couto


 


excerto 30 seg em: Cotonete

MAX

Com a devida vénia ao Canto da Terra


 


Foi uma das mais populares vedetas da rádio, do teatro e da televisão portuguesas, desde os anos quarenta até à sua morte em 1980.


 



 


A ele se devem êxitos como Noites da Madeira, Bailinho da Madeira ou A Mula da Cooperativa. E nada faria prever que este jovem madeirense, que sonhava ser barbeiro e fora alfaiate, viria a ser um dos mais populares artistas portugueses. Maximiano de Sousa, de todos conhecido como Max, era madeirense, nascido no Funchal em 1918. Foi aí que iniciou a sua carreira artística. Sonhara ser barbeiro e violinista, tinha ouvido para a música mas pouca paciência para aprender o solfejo, e acabou por aprender o ofício de alfaiate. Contudo, o bichinho da música que sempre tivera tornou-se numa carreira em 1936, quando começa a actuar no bar de um hotel do Funchal: cantor à noite, alfaiate de dia.


 


Em 1942, é um dos fundadores - como cantor e baterista - do Conjunto de Tony Amaral, que se torna numa sensação nas noites madeirenses e que, em 1946, vem conquistar Lisboa. O trabalho é muito e o conjunto assenta arraiais no night-club Nina, interpretando os ritmos do momento - boleros, slows, fados-canções. E é o Fado Mayerúe de Armandinho e Linhares Barbosa, mais conhecido como Não Digas Mal Dela, que populariza a voz de Max e leva à sua saída do Conjunto de Tony Amaral, iniciando finalmente a carreira a solo que desejava em 1948. Agora actuando sozinho, Max dispara para o estrelato através da rádio e das suas presenças no Passatempo APA do Rádio Clube Português, em parceria com Humberto Madeira.


 


Em 1949, assina contrato com a Valentim de Carvalho e grava o seu primeiro disco: um 78 rotações com Noites da Madeira e Bailinho da Madeira. É o primeiro de uma longa lista de sucessos como A Mula da Cooperativa, Porto Santo, 31 ou Sinal da Cruz. Em entrevista ao jornal Se7e, em 1978, referia que eram os discos que lhe davam mais dinheiro, pois "os direitos de autor estavam sempre a pingar". Depois da rádio, Max conquista o teatro, participando a convite de Eugênio Salvador na revista Saias Curtas, em 1952. Será apenas a primeira de uma longa série de revistas que confirmarão também os seus dotes de actor e humorista. Em 1957, parte para os EUA para uma digressão de cinco anos interrompida por uma súbita doença de coração ao fim de dois. Viajará em seguida por Angola, Moçambique, África do Sul, Brasil e Argentina. Regressado a Portugal, embora continue a ser um dos artistas mais queridos do público, encontrará alguma dificuldade de trabalho, sobrevivendo à conta dos discos que continuava a gravar. Um dos seus maiores êxitos surgirá aliás neste período, Pomba Branca. Faleceu em 1980.

Câmara do Funchal apresenta Regata dos 500 anos na Sagres

Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira


 


A iniciativa é do Funchal e de Ílhavo e pretende aproveitar a presença dos grandes veleiros na regata de Lisboa.


 



 


A regata dos grandes veleiros irá começar em Inglaterra, pára em Ílhavo e termina no Funchal.


 


As Câmaras do Funchal e de Ílhavo apresentam hoje à tarde, a bordo da Sagres, a Regata dos 500 anos. Os convidados deste cocktail são os comandantes dos grandes veleiros que estão em Lisboa a participar na edição de 2006 da regata dos "Talls Ships". Pedro Calado, vereador das Finanças e responsável pela empresa que gere as iniciativas dos 500 anos, será o representante do Funchal nesta apresentação. Além de divulgar a regata que a cidade pretende organizar em 2008, o autarca leva duas garrafas de Vinho Madeira e um pequeno filme promocional do Funchal para entregar aos comandantes dos veleiros.


 


«É uma forma de mostrar a cidade aos potenciais participantes na regata», explicou, ontem ao DIÁRIO, o vereador das Finanças. A iniciativa, no entanto, não é só do Funchal. Na organização, além da Comissão dos 500 anos, está também a Câmara Municipal de Ílhavo. Esta cidade será uma das paragens dos grandes veleiros, num percurso que começa num porto no Sul de Inglaterra e termina no Funchal. Esta é uma regata de grandes veleiros, de "Talls Ships". Ou seja, de barcos da categoria da Sagres e da Crioula, divididos em várias classes. O que significa que se trata de veleiros que podem atingir os 110 metros. A mesma categoria de barcos que, neste momento, se encontra em Lisboa a participar na 50ª regata de "Talls Ships". E é aos comandantes destes grandes veleiros que se pretende apresentar e promover a iniciativa do Funchal. O cocktail será, como foi já referido, a bordo da Sagres, cedida para o efeito pela Marinha, na doca de Santos, em Lisboa.


 


Marta Caires

terça-feira, 18 de julho de 2006

Museu "Vicentes" guarda filmes raros

As primeiras sessões de cinema na Madeira decorreram em 1897, no Teatro D. Maria Pia


 


Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira


 



 


A Photographia - Museu "Vicentes" tem à sua guarda, desde 2005, um conjunto de filmes muito raros. Trata-se de 40 películas de origem francesa de 1895-96, em 35 mm. A nível mundial só são conhecidas três colecções semelhantes, uma existente na Filmoteca Espanhola de Madrid, outra na Cinemateca Suíça, mas a maior e a mais completa é a da Região.


 


São películas de um minuto, cujo registo foi efectuado com a câmara fixa apontada para uma praça, uma rua, um monumento conhecido. "Avenida do Bosque de Boulogne e Arc-de Triomphe", "Dança Espanhola", "O jardineiro" são alguns dos títulos. Foram os primeiros filmes a serem projectados na Madeira.No âmbito do projecto comunitário Cinemedia (Recuperação e Digitalização do Património Cinematográfico dos Açores, Madeira Canárias) (ver texto ao lado), esta colecção será restaurada e duplicada de modo a garantir a sua preservação.


 


Com esse objectivo a Photographia -Museu "Vicentes" constituiu-se depositante da Cinemateca Portuguesa, instituição que possui o Arquivo Nacional de Imagem em Movimento (ANIM), departamento responsável pela salvaguarda e conservação do património cinematográfico do país. O depósito na Cinemateca Portuguesa não implica transferência de propriedade. Os filmes estão a ser enviados gradualmente para serem conservados em condições ideais de temperatura e de humidade. Numa segunda fase, serão reparados, limpos e duplicados de modo a existirem elementos intermédios de segurança e para que possam ser projectados. O Museu "Vicentes" guardará também uma cópia de todas as películas.Tiago Baptista, do Centro de Conservação da Cinemateca, diz ao Diário que a colecção tem importância internacional pelo seu formato denominado "Joly-Normadin", nome de dois engenheiros franceses, concorrentes dos irmãos Lumière, que criaram em 1896 uma câmara, um projector e um tipo de filmes.


 


João Anacleto Rodrigues, um empresário da nossa praça, comprou este tipo equipamento e a 15 de Maio de 1897 alugou o Teatro D. Maria Pia, actual Teatro Municipal Baltazar Dias, onde realizou a primeira sessão de cinema na Madeira. Então foram exibidas 12 curtas-metragens. Em 2005, os filmes que adquiriu, cerca de 40, foram depositados no Museu "Vicentes".


 


A instituição possui ainda «um segundo conjunto importante. São documentários dos anos 30 e também filmes dos anos 40 a 70, do século passado, realizados por operadores da Madeira ou do Continente.Foram encomendados por instituições madeirenses, algumas públicas e outras privadas, sobre acontecimentos específicos. Por exemplo, existe um filme que comemora o centenário da Associação Comercial do Funchal (1936), um outro que regista uma exposição de floricultura, o "X Aniversário da Revolução Nacional - 1936"...


 


Em geral, chegaram em muito boas condições. Alguns apresentam sinais de degradação, mas ainda vamos a tempo de duplicá-los». Conforme explica, no caso dos filmes "Joly-Normandin" «o processo de duplicação é complicado porque têm características técnicas que não são estandardizadas, o que os torna únicos. O equipamento que vamos usar para duplicar não é totalmente compatível com estes filmes e as máquinas terão de ser alteradas. Por isso o trabalho só pode ser feito num laboratório de restauro de uma cinemateca e não num laboratório comercial». Neste processo a Cinemateca Portuguesa conta com a colaboração da Filmoteca Espanhola. Os filmes serão duplicados para materiais actuais, não inflamáveis, ao contrário do tipo de película que era utilizada até 1951.


 


No próximo ano, completam-se 110 anos das primeiras sessões de cinema na Madeira. «Era importante que tudo estivesse pronto em 2007, mas ainda não sabemos se será possível até essa data», conclui Tiago Baptista.


 


Madeira recupera património fílmico


 


Novos dados sobre a história do cinema madeirense serão conhecidos no próximo mês do Outubro, com a edição de um "Prontuário do cinema" e de uma colecção de DVD's relativa ao cinema insular Atlântico. Integrarão informações sobre filmes, realizadores, directores, produtores, salas de espectáculo dos Açores, Madeira e Canárias.A iniciativa integra-se no projecto comunitário Cinemedia (Recuperação e Digitalização do Património Cinematográfico dos Açores, Madeira e Canárias), que entre outros objectivos visa a recuperação, digitalização e catalogação do património cinematográfico dos referidos arquipélagos. Através do site www.cinemedia-mac.com será também disponibilizada toda a informação da História do Cinema na Madeira.


 


O ano 1895, marca o início da história do cinema mundial, quando a 28 de Dezembro os irmãos Lumière espantaram três dezenas de espectadores com o seu cinematógrafo movido a manivela. A Madeira não fica alheia à nova arte e dois anos depois, a 15 de Maio de 1897, têm lugar as primeiras sessões cinematográficas no Funchal. Actualmente o Museu "Vicentes" possui entre o seu acervo, um fundo constituído por cerca de 40 filmes em formato Joly -Normandin (ver texto ao lado), peças dos primórdios da imagem em movimento, diapositivos para Lanterna mágica, películas de diversa proveniência, um núcleo muito grande de filmes-documentários encomendados por antigas entidades oficiais, como a Delegação de Turismo e a Junta Geral que utilizavam essas películas para promoção do Arquipélago da Madeira. Possui ainda outras colecções da Casa Perestrelos e da Foto Figueiras. O museu conta ainda com a integração de fundos provenientes de organismos do Governo Regional, explica Helena Araújo, directora da Photographia - Museu "Vicentes", a instituição que lidera o referido projecto na Região.


 


Atendendo a esse espólio o Cinemedia constitui «uma mais valia, pois veio despertar para uma vertente que estava um pouco adormecida. Existia a intenção de criar o Museu da Imagem da Madeira que integrasse o cinema e a fotografia, que agora está a ser dinamizado. O projecto trouxe também uma maior projecção do espólio, quer em termos regionais, quer nacionais e ainda que filmes dos primórdios do cinema da Madeira fossem depositados.


 


Alguns deles já tinham sido dados como perdidos pela Cinemateca Portuguesa e neste momento encontram-se no Museu "Vicentes" para serem recuperados e duplicados. Está a ser feito o inventário sistemático de todos os filmes existentes na Região e no futuro prevê-se que sejam editados em DVD», acrescenta a responsável. O Cinemedia termina em Outubro mas, conforme adianta Helena Araújo, o projecto terá continuidade. «O Museu "Vicentes" possui objectos do ex-Cine Jardim, nomeadamente mobiliário, máquinas de projectar, todo o material audiovisual da antiga Delegação de Turismo da Madeira e o nosso objectivo é dar utilidade a este espólio».


 


Açores quer criar arquivo de imagem


 


A participação dos Açores no projecto Cinemedia é uma oportunidade para criar o Arquivo de Imagem dos Açores, disse ao Diário Rafael Barcelos, da Direcção Regional da Cultura do referido arquipélago.«Com os dois projectos de cooperação interregional o Mediat (Memória Digital Atlântica), relativo à fotografia, e o Cinemedia estamos a tentar chegar ao fim com uma plataforma que nos permita criar o referido arquivo».


 


O Mediat possibilitou a criação do Arquivo de Fotografia dos Açores, «uma estrutura electrónica que é relativamente complexa, porque, ao contrário da Madeira, que tem um vasto espólio, mas essencialmente dois grandes fotógrafos e duas ilhas, nós temos nove ilhas e uma diversidade de organismos, como bibliotecas públicas, museus de ilha e criámos uma estrutura que contempla essa divisão administrativa».


 


O tratamento do espólio fotográfico dos Açores começou a ser efectuado com o Mediat, em 2003. «Partimos de uma plataforma frágil, enquanto a Madeira já começou há 20 anos. Podemos mesmo dizer que antes havia acervos fotográficos públicos que estavam guardados em caixas de cartão sem qualquer tipo de inventariação e catalogação. Hoje, os Açores tem um arquivo de fotografia e estamos a trabalhar no projecto do cinema», afirma Rafael Barcelos.


 


Canárias restaura 70 películas


 


O projecto Cinemedia «tem uma importância muito grande para Canárias», afirma António Vela, do Centro de Fotografia Isla de Tenerife. Conforme explica, «os recursos económicos são sempre pequenos ao nível das instituições públicas e no caso do projecto Mediat (Memória Digital Atlântica) significou a possibilidade de contratar pessoal, adquirir material, digitalizar todos os nossos fundos, que integram cerca de 20 mil fotografias e estão a aumentar graças ao projecto».No que diz respeito ao cinema, «com a Filmoteca de Canárias pudemos fazer um restauro de películas que estavam em mau estado físico, e digitalizá-las. Num ano restauramos cerca de 70 películas que são importantes para a memória de Canárias», revela o responsável.


 


Teresa Florença

segunda-feira, 17 de julho de 2006

O MAIOR VASO DO MUNDO


 


O maior vaso do mundo, no Jardim Tropical Monte Palace

PORTO SANTO - Centro de Mergulho modelar ao nível do melhor da Europa

Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira


 


O Porto Santo vai ser dotado do melhor Centro de Mergulho do oceano Atântico, com tanque de aprendizagem e câmara hiperbárica 


 



 

Em Portugal, não há nenhum Centro de Mergulho com as características e a qualidade do que vai ser construído no Porto Santo. E são poucos os destinos turísticos de mergulho que têm uma plataforma de apoio a esta actividade com os equipamentos e a qualidade com que o Centro de Mergulho do Porto Santo vai estar equipado. Mercê de uma opção estratégica que visa dotar a ilha de infra-estruturas de luxo e com isso oferecer um turismo de qualidade, para outro segmento de mercado, a Sociedade de Desenvolvimento do Porto Santo, depois de ter construído um campo de golfe e um estádio de ténis do melhor que existe em Portugal e na Europa, prepara-se para um investimento invulgar.


 


Embora o jornalista não tivesse tido acesso a todos os elementos do projecto, foi possível apurar que a infra-estrutura a construir na praia do Penedo do Sono vai ocupar uma área de 4.500 m2, estando equipada com uma câmara hiperbárica, requisito obrigatório para quem quer apostar neste produto como forma de diversificar a sua oferta turística. Grande novidade no projecto concebido para o Porto Santo tem a ver com a construção de um tanque de aprendizagem, com a dimensão de 7x4 metros, com profundidade de 5 metros, espaço destinado à iniciação da prática do mergulho. Uma aposta de luxo, que não está disponível em mais nenhum centro de mergulho em Portugal e que visa atrair mais turistas, a partir de uma iniciação feita em condições de conforto psicológico, independentemente das condições de tempo.


 


O novo centro será erguido a partir de um edifício constituído por um piso térreo e por um piso inferior de acesso às áreas técnicas, tendo no seu pátio exterior o referido tanque de mergulho. O conjunto, com entrada a poente, define-se basicamente por dois corpos articulados entre si, correspondendo cada um a zonas funcionais. Estes encontram-se ligados por um núcleo central de distribuição que faculta o convívio entre os atletas e o público, e possibilita observar, através de um circuito interno de TV, a iniciação à prática do mergulho. O corpo mais a norte é destinado aos mergulhadores, onde se encontram os balneários, arrumos e lavagem de equipamentos, bem como uma estação de enchimento de botijas de oxigénio e uma garagem com comunicação interior. Com ligação aberta para o átrio central, temos ainda um bar, com respectiva sala de espera. O corpo mais a sul engloba diferentes serviços, nomeadamente o administrativo (atendimento, back-office e gabinete), o pedagógico (sala de aulas para formação) e o serviço de atendimento médico, com uma câmara hiperbárica. Nota curiosa para o facto de as paredes exteriores serem em alvenaria de tijolo maciço com junta horizontal visível e alvenaria de bloco (interior), com caixa-de-ar e isolamento térmico, enquanto as coberturas dos dois braços do edifício são em estrutura metálica.


 


Com o lançamento do concurso público ainda no decorrer deste mês, o investimento atingirá os 2 milhões de euros, prevendo-se que as obras possam iniciar-se a partir de Novembro e a abertura do novo centro possa acontecer em Abril de 2008.


 


Com a concretização deste projecto, o Porto Santo pode apostar em definitivo num produto que é muito atractivo, pela temperatura das suas águas, enorme visibilidade e, sobretudo, pela circunstância de ter um navio de grandes dimensões afundado (Madeirense), mergulho que é muito procurado e muito promovido pelos principais agentes de viagem especializados (Geotur, O Peixe Voador e a Escapetravel), sendo que a maioria dos quinhentos turistas que hoje procuram a ilha são maioritariamente portugueses, embora ingleses, alemães, italianos, espanhóis e nórdicos procurem já o Porto Santo.


 


Miguel Torres Cunha

quinta-feira, 13 de julho de 2006

BANANAS DA MADEIRA

Património natural da Região divulgado aos mais novos

Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira


 


Durante os meses de Verão, o Centro de Informação do Serviço do Parque Natural da Madeira realiza várias actividades


 



 


Ao longo dos meses de Verão, e embora as escolas estejam em período de férias, o Parque Natural da Madeira (PNM) continua a poder ser "descoberto" pelas gerações mais jovens.


 


Através do Centro de Informação do Serviço do PNM são desenvolvidas diversas actividades que pretendem, em última instância, divulgar o património natural da Região.O objectivo é aliar o carácter pedagógico a um lado mais lúdico, e a proposta do Parque Natural não tem passado despercebida às pessoas, principalmente aos responsáveis por campos de férias e ATL (ateliers de tempos livres), que têm requerido a organização de diversas actividades desde o princípio deste mês de Julho.Segundo o que o DIÁRIO conseguiu apurar junto do Centro de Informação do Serviço do PNM, até ao final do mês de Julho, «as semanas já estão cheias de marcações». E já começam a aparecer interessados em realizar actividades no próximo mês de Agosto, o que comprova que a receptividade dos mais jovens a este tipo de actividades tem sido largamente satisfatória para os organizadores. Refira-se que estas iniciativas promovidas pelo Parque Natural baseiam-se essencialmente em visitas de estudo, sempre tendo em conta determinadas condicionantes, como a idade das crianças e outros factores que podem provocar alterações nos programas habituais.


 


A duração das visitas de estudo depende da área protegida pretendida e os grupos deverão ter no máximo 30 participantes. Até aos 14 anos, as crianças podem conhecer melhor as Reservas Naturais do Garajau e da Rocha do Navio, a Floresta Laurissilva e o Núcleo dos Dragoeiros (Centro de Informação do Serviço do PNM). Para os grupos que têm participantes com mais de 14 anos, e além das actividades já referidas, existe ainda a possibilidade de realizarem visitas ao Maciço Montanhoso Central, à Área Protegida da Ponta de São Lourenço e ainda à Reserva Natural das Ilhas Desertas. Por solicitação prévia, há também a possibilidade de os jovens experimentarem uma vertente mais radical com a parede de escalada, «uma actividade lúdica e pedagógica que consiste em 3 paredes de escalada e onde os participantes simulam o trabalho que os vigilantes da Natureza realizam quando descem as "mangas" para vistoriar as caixas com rodenticida, gatoeiras e ninhos no âmbito do projecto de conservação da Freira da Madeira.»


 


A curto-médio prazo, o Centro de Informação gostaria de alargar estas actividades a outros grupos etários, nomeadamente a pessoas que frequentam centros de dia, de convívio ou lares de terceira idade, estando também disponível para outros projectos que possam vir a aparecer. Para obter mais informações, esclarecimentos ou para marcação de actividades, os interessados deverão contactar o Centro de Informação do Serviço do Parque Natural da Madeira (Núcleo dos Dragoeiros), localizado no Caminho da Portada - São Gonçalo, através dos telefones números 291 795155 e 291 794258, ou então enviando uma mensagem para o endereço de correio electrónico cispnm@netmadeira.com .


 


Ana Luísa Correia

FLORES

quarta-feira, 12 de julho de 2006

VAGUEANDO PELA MADEIRA

Mais um excelente blog sobre a Madeira!


 


Um blog onde a principal preocupação é dar a conhecer o Arquipélago da Madeira.


E conseguem-no muito bem! Flora, fauna, paisagens e história da Madeira, muito se aprende neste blog, com dois autores, Drakonyaz e Taninha Vagueando pela Madeira


 


VALE DA RIBEIRA DOS SOCORRIDOS

Parque Ecológico terá corredor da água

Com a devida vénia ao Jornal da Madeira


 


A Câmara Municipal do Funchal vai começar a recuperar trilhos centenários que foram construídos nas vertentes da Ribeira de Santa Luzia, com o objectivo de captar a água das nascentes. Este é um projecto que ficará completo com o restauro da antiga Estação dos Tornos, que funcionará como um museu vivo da água.


 



 


A Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal está a comemorar 10 anos de existência e ontem realizou um colóquio sobre o tema "Oásis num Deserto de Montanha", no auditório do Museu da Electricidade e que contou com a presença do presidente da autarquia do Funchal, Miguel Albuquerque, do presidente da Associação Raimundo Quintal, do vereador do Ambiente, Henrique Costa Neves e do professor catedrático, Fernando Rebelo. Minutos antes de falar sobre o tema o "Parque Ecológico do Funchal - o passado, o presente e o futuro", Henrique Costa Neves anunciou que a Câmara Municipal do Funchal vai iniciar o restauro dos trilhos centenários, que foram construídos nas vertentes quase verticais da Ribeira de Santa Luzia para captar a água das nascentes que brotam da vertente do Chão da Lagoa. Este é um projecto, conhecido como o corredor da água, que ficará completo com o restauro que está a ser realizado na antiga Estação dos Tornos, «que funcionará como um pólo temático da água, que ficará a funcionar para o caso de ser necessário abastecer o Funchal e será um museu vivo da água», revelou o autarca.


 


Além disso, a área do Parque Ecológico do Funchal vai ser novamente aumentada. Depois da aquisição do Montado dos Curraleiros, a autarquia está em processo de aquisição de mais três hectares de terreno nas imediações do Pico Alto. Na ocasião, Raimundo Quintal disse que nestes 10 anos de Associação os "amigos" já reflorestaram seis hectares de área com plantas indígenas, travando a desertificação que afecta algumas zonas da Madeira e Porto Santo. Quanto a projectos futuros, a Associação quer alargar a área a trabalhar e também criar um campo de educação ambiental. Sobre o gado desordenado, Raimundo Quintal alertou que é preciso ordenar os animais que pastam no Paul da Serra, Fonte do Bispo e Rabaçal.


 


Marília Dantas

terça-feira, 11 de julho de 2006

CANA DA ÍNDIA

Falta de carteira profissional é entrave ao Turismo Activo

Com a devida vénia ao Jornal da Madeira


 


A Madeira tem um vasto leque de ofertas na área do Turismo Activo, quer em terra quer em mar. Os "profissionais da diversão" andam de bicicleta, de quaiaque, de jeep, de catamarã. Enfim, levam os turistas a conhecer a aventura em segurança da natureza da Madeira. Contudo, nem tudo são rosas. A inexistência de carteira profissional para estes profissionais é um obstáculo ao crescimento do sector. De momento, está em estudo nova regulamentação para a actividade.


 



 


Andar de bicicleta pelas montanhas madeirenses, passear a pé pelas levadas, fazer um jeep-safari e desfrutar das belezas da ilha, sentir a adrenalina a dominar o corpo enquanto se desliza nos leitos das movimentadas águas das ribeiras que se desenham pelo interior da Madeira, sentir a brisa do mar num mini-cruzeiro em catamarã pela costa sul da Madeira, passear de caiaque, estar praticamente ao lado de golfinhos.


 


 Tudo isso é possível na Madeira. O turismo está em mutação. Os turistas estão mais exigentes e querem novas emoções e sensações. Enfim, querem aventura com segurança. "Já não querem estar uma semana de férias só ao sol". Por isso, procuram actividades incluídas no Turismo Activo.


 


A Olhar foi conhecer um pouco desta forma de receber os visitantes. O Turismo Activo está ainda a despontar, mas são várias as suas potencialidades, como nos explica Luís Pinto Machado, da empresa "Terras da Aventura", que organiza diversas actividades de turismo activo.


 


"Somos profissionais da diversão", diz. "Temos de satisfazer as pessoas de manhã à noite, com as diversas actividades que temos. O sucesso da actividade tem a ver precisamente com a diversão do cliente". Quanto ao tipo de turistas que procuram as actividades junto da natureza, o responsável diz que as faixas etárias variam entre os 25 e os 55 anos. Em termos de nacionalidades, a Europa Central - a Europa rica - é o principal mercado, com a Alemanha, Inglaterra, Bélgica, por exemplo. Em segundo lugar, surgem "os mercados de proximidade" - os portugueses - que, apesar de não nos procurarem muito, talvez por uma questão de mentalidade, começam a crescer. O mercado espanhol também tem crescido, salientou ainda.


 


Quanto a madeirenses, são "muito poucos os que nos procuram". Normalmente, e do mercado madeirense, quem procura a "Terras de Aventura" são as empresas, para actividades de incentivo (ler caixa).


 


Actividade em regulamentação


 


Apesar desta ser uma vasta área e com um potencial de crescimento significativo, a verdade é que tem havido entraves ao desenvolvimento do Turismo Activo, salienta. Esta actividade está a tentar mudar a legislação de modo a, por exemplo, dotar os profissionais de carteira profissional, um requisito existente em vários países que apostam em Turismo Activo, mas que, em Portugal ainda não existe. A esse nível, diz que o nosso país está muito atrasado, apesar de ter muito para oferecer nesta área. O nosso entrevistado explicou que actualmente, não existe uma definição clara dos serviços de Turismo Activo. Na realidade, para além do Decreto-Lei 204/2000, que definiu a regulamentação da actividade, nota-se a necessidade de clarificar novos aspectos.


 


Assim, a Associação Nacional de Empresas de Turismo Activo e de Natureza está a tentar, juntamente com o Governo Central, regulamentar actividades mais específicas. Isso porque, o Turismo Activo é uma actividade relativamente nova em Portugal. Como actividade oficial, tem apenas seis anos, referiu-nos Pinto Machado, que faz parte da referida associação nacional. Aliás, a sua empresa foi uma das fundadoras da instituição continental, há cerca de 10 anos.


 


Desconhecimento permite existência de empresas sem licença


 


As indefinições existentes são obstáculos ao crescimento da área, comenta. Um dos entraves é precisamente o desconhecimento das autoridades da existência deste tipo de empresas. "Esse desconhecimento faz com que abundem empresas que não estão licenciadas e que podem incorrer em algum risco fazendo actividades para as quais não estão devidamente preparadas, porque o contacto com a natureza também implica alguns riscos. É muito arriscado uma empresa que não está licenciada para tal, levar turistas para a montanha. Pode ser grave". Dessa feita, a regulamentação que está a ser preparada visa "salvaguardar as empresas que estão no activo e que querem ser transparentes e legais, e para evitar que haja concorrência desleal, quer ao nível da própria segurança quer ao nível do profissionalismo".


 


As alterações pretendidas pela associação passam por uma melhor integração da área na actividade turística, nomeadamente através da formação. As sucessivas mudanças de governo, nos últimos anos, têm atrasado o processo, salienta. De qualquer modo, está confiante no actual secretário de Estado do Turismo, o madeirense Bernardo Trindade. "Sabemos que há intenção do secretário de Estado de rever o diploma que rege a actividade de animação turística".


 


Plano de formação nacional em preparação


 


Como nos explicou, "actualmente, só existem guias turísticos e guias de montanha oficiais. Estamos a tentar, a nível nacional, criar um plano de formação para jovens e não jovens que queiram trabalhar nesta área e para a qual possam ter uma formação legal e específica que os qualifique". O pretendido, assim, é formar "profissionais da diversão", monitores, através de um programa nacional que reúna currículos distintos para cada actividade e que permita que pessoas que tenham formação nesta área possam trabalhar com segurança, profissionalismo e com uma carteira profissional. A falta de encartados neste sector pode levar a uma certa desconfiança por parte dos turistas e agências, sublinha Luís Pinto Machado.


 


"Numa altura em que se quer profissionalizar esta área, também temos de ter profissionais à altura. Temos de acompanhar a promoção que a Madeira está a fazer no exterior e, se nós promovermos a Madeira nesta vertente do turismo activo, temos de estar preparados para quando os turistas aqui chegarem, podermos prestar serviços com o nível de profissionalismo que eles esperam, tal como acontece noutros países".


 


Inexistência de encartados prejudica contratos


 


Da parte da "Terras de Aventura", é dada formação aos monitores da empresa. Contudo, "não é a formação oficial", o que pode causar problemas junto dos operadores turísticos que exigem profissionais credenciados. Por isso, Pinto Machado lamenta que Portugal esteja muito atrasado nesta área. Comparando com a França e Espanha, por exemplo, "o nosso país está cerca de vinte anos atrasado", acrescentou. Essa situação reflecte-se "na falta de contratos com alguns operadores turísticos porque não há certificação ao nível de qualificação profissional"


 


Enfim, são obstáculos à evolução da actividade considerada pelo nosso entrevistado como "o parente pobre do Turismo". O responsável pela "Terras de Aventura" diz ainda que "uma prestação de bons serviços implica formação e reciclagem. É normal que um agente de viagem ou operador turístico que queira uma operação na Madeira com o turismo activo exija mais dos nossos profissionais do que de um hotel, porque o grau de risco é maior". Por outro lado, o nosso interlocutor considera haver algum desconhecimento por parte das autoridades regionais que "acham que um guia turístico ou um guia de montanha é capaz de fazer todas as actividades que nós temos, como caiaque, canyoning, passeios de bicicleta, actividades com grupos, quando são realidades muito diferentes". Ou seja, tem de haver especificidades em formação. Ainda mais quando a Madeira tem tanto por oferecer nesta área, em mar e em terra.


 


De salientar ainda que, actualmente, estão registadas na Madeira entre 25 a trinta empresas de animação turística. No entanto, também a este nível há uma certa indefinição porque empresas com ofertas distintas foram "metidas todas no mesmo saco", em termos da sua designação na lei. Por exemplo, "o Governo chamou a um aeródromo, a um centro hípico, e a uma empresa como a nossa como empresas de actividade turística. Ou seja, do número de estabelecimentos com esta designação na Madeira, apenas cinco ou seis prestam serviços específicos no Turismo Activo. À parte dos problemas sentidos no sector, a verdade é que os turistas continuam a procurar a aventura em segurança. Enfim, a Madeira não é propriamente um destino de sol e praia. Tem montanhas, trilhos e águas que conquistam o espírito aventureiro dos turistas".


 


Os "profissionais da diversão" tentam garantir o sucesso das férias de quem nos procura. E apesar das dificuldades, o objectivo primeiro tem sido alcançado. Por isso, venha a regulamentação das actividades específicas do sector. E venham mais turistas


 


 Paula Abreu

GAVIÃO DA MADEIRA


 


 


Os programas actuais:


 


MEIO DIA DE MAR


 


10h30 – 13h3015h00 – 18h00+ 30 min. Mai/Set


Dias de operação: Ter - Qua - Sex - Sáb - Dom


Preço: € 29,00 Adulto Criança: 05/12 anos 50% desconto


 


Recomendações especiais:Calçado confortável - camisola quente - protector solar


 


Com saída da Marina, a primeira parte do passeio é dedicada à busca de tartarugas, baleias e golfinhos, num perímetro localizado a 3 milhas ao largo do Funchal e de Câmara de Lobos. De regresso à costa, paragem para banhos no sopé do imponente cabo Girão, segundo mais alto do Mundo e primeiro da Europa com 580 metros.O regresso faz-se serpenteando as enseadas da costa sul até ao Funchal, oportunidade para apreciar as deslumbrantes vistas da Ilha e da cidade.


 


ENTARDECER


 


Verão : 18h15 – 19h45


Inverno : 17h45 – 19h00


 


Dias de operação: Ter - Qua - Sex – Sáb – Dom


Preço: € 23,50 Adulto Criança: 04/12 anos 50% desconto


 


Recomendações especiais:Calçado confortável - camisola quente.


 


Descubra como é mágico o pôr-do-sol visto do mar, num passeio que, saindo da marina, segue a rota dos antigos "carreireiros", embarcações de cabotagem que no limiar do século passado, ligavam regularmente diversas povoações da costa sul da Ilha. Viagem de romantismo, tempo para desfrutar de um fim de tarde de sonho e de um conveniente brinde a bordo, (incluído).


 


MINI-CRUZEIRO DE EXPEDIÇÃO ÀS ILHAS DESERTAS


 


09h30 – 17h30+ 30 min. Mai/Sep


Dia de operação: Seg - Quin


Preço: €80,00 Adulto (incl. Almoço) Criança: 05/12 anos 50% desconto (incl. Almoço) Inclui um donativo de €2,00 para a preservação dos Lobos Marinhos


 


Recomendações especiais:Calçado apropriado - camisola quente - protector solar.


 


O Gavião faz-se ao mar na marina do Funchal e ruma às Ilhas Desertas, (115ºSE), covil ancestral de perigosos Piratas e actualmente Reserva Natural de lobos-marinhos e aves raras, recentemente reconhecida como Reserva Biogenética pelo Conselho da Europa. O desembarque acontece numa enseada abrigada da Deserta Grande e inclui um curto passeio guiado de exploração da Ilha, seguido de uma visita à Casa dos vigilantes da Reserva Natural.


 


Oportunidade ainda para apreciar os prazeres de um banho na água límpida do mar e o reconforto de uma refeição a bordo.Após o almoço, o Gavião zarpa de regresso à Madeira. Durante o dia diversas informações serão prestadas sobre a História, Geologia, Fauna e Flora das Ilhas Desertas, bem como algumas noções de navegação. 


 


Preços e programas sujeitos a alteração de acordo com a estação e o estado do tempo Partidas do cais leste da Marina do Funchal


 


Características técnicas:


 


O Gavião é um luxuoso yacht motorsailer, construido na Filândia no ano de 1997 e tem uma capaciddae máxima para 22 passageiros, incluindo tripulação. Classe: Nauticat 44 Velocidade a motor: 8 nós Comprimento: 13.30 m Largura: 3.70 m Calado: 1.80 m Deslocamento: 14,5 ton Àrea vélica: 113 m2 Altura do mastro: 17,5 m Água potável: 700 L Combustivel: 1 000 L


 


À sua disposição a bordo: Serviço de Bar Snacks Diversos Roupões Toalhas 2 WCs Ar Condicionado Sistema de Som Hi-Fi


 


Também disponíveis Mini-Cruzeiros Privados:  Oceanográficos Naturistas  Fitness Lua de Mel Aventura Circunavegação da Ilha Fajã dos Padres...e outros à medida do seu interesse e da sua imaginação


 



 


Telefone: 291 241124 / 91 2229022


Fax: 291 706401


E-mail: gaviaomadeira@netmadeira.com

segunda-feira, 10 de julho de 2006

FUNCHAL 500 ANOS - UMA PORTA PARA O MUNDO

Funchal, primeira cidade Portuguesa implantada no Oceano Atlântico1508-2008


 



 


Em 21 de Agosto de 1508 o Funchal foi elevado a cidade. Foi a primeira criada pelos Portugueses no Oceano Atlântico.


 


Passados quase quinhentos anos- que vão completar-se em 21 de Agosto de 2008- o Funchal, capital da Região Autónoma da Madeira, é sobejamente conhecido no mundo inteiro.


 


Funchal 500 anos

ESTÁTUA JOÃO PAULO II - FUNCHAL

Mini-cruzeiros às Ilhas Desertas

Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira


 


O iate "Gavião" anunciou recentemente o lançamento de mini-cruzeiros de expedição às Ilhas Desertas, actualmente Reserva Natural de lobos-marinhos e aves raras, recentemente reconhecida como Reserva Biogenética pelo Conselho da Europa.


 


 



 


As viagens efectuam-se às segundas e quintas-feiras, com partidas do cais da Marina do Funchal às 09:30 horas e regresso às 17:30 horas.O desembarque acontece numa baía abrigada da Deserta Grande e inclui um curto passeio guiado de exploração da ilha, seguida de uma visita à casa dos vigilantes da Reserva Natural. Durante o dia os passageiros terão oportunidade de ouvir diversas informações serão prestadas sobre a História, Geologia, Fauna e Flora das Ilhas Desertas, bem como algumas noções de navegação. O "Gavião" que pertence à empresa "Gavião - Viagens Turísticas, Lda." encetou um novo ciclo da sua exploração, como recentemente abordámos neste destacável, tendo como "skipper" Miguel Freitas e promotora de vendas Luísa Rodrigues.


 


Catanho Fernandes