quinta-feira, 26 de junho de 2008

Beber - Influência da Madeira

Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira

 

 

Aromas de madeira nos vinhos são muito apreciados, contribuindo para a sua complexidade, sabendo-se que os cascos novos chegam a transmitir aos vinhos mais de 200 mg de litro de tanino.

 

As madeiras mais usadas na arte de tanoaria são a de carvalho, Francês (Allier e Limousin), e Americano. O carvalho francês não pode ser serrado, pelo que de cada árvore apenas se aproveita 15% de madeira para tanoaria, enquanto que no americano cerca de 50% da madeira é aproveitada e pode ser serrada. Claro que o custo das barricas com carvalho francês é cerca do dobro do americano. Os aromas da madeira não devem contudo, sobrepor-se aos do vinho, mas sim aparecerem de uma forma subtil a enriquecerem na sua componente gustativa.

 

O papel da madeira ou dos cascos no vinho, para além de transmitirem compostos aromáticos e taninos, desempenham também um papel muito importante no chamado 'arredondamento' dos mesmos. Nos brancos, como o Chardonnay, dão aromas amanteigados. Sabe-se que a madeira absorve parte do vinho e incha, por outro lado seca pela superfície em contacto com o ar. Assim em cascos mais pequenos as 'quebras anuais' ou evaporações em volume são maiores, atingindo cerca de 4 a 6% nas boas adegas. Claro que este factor varia com o tipo de madeira e sua espessura para além do tamanho do casco. Quanto mais pequeno for, maior é a evaporação. A utilização de carvalho francês é a mais apreciada e a também a mais cara, obtendo-se vinhos de maior complexidade e estrutura, face à utilização de um carvalho americano onde a presença da aromas de baunilha e coco são facilmente detectáveis.

 

Em prova, as opiniões dos consumidores inclinam-se para os vinhos novos estagiados em carvalho americano, para vinhos de consumo imediato, estilo Novo Mundo. Os vinhos estagiados em carvalho francês, apesar de poderem ser consumidos novos, têm performances para maior guarda. É uma das etapas mais caras no processamento do vinho, já que uma barrica de 225 litros de carvalho Francês Allier poderá custar cerca de 850€, o que significa um incremento no custo de produção do vinho em cerca de 3,7€ por litro, só para o estágio durante 12 meses e que servirá apenas uma produção. Ou seja, só grandes vinhos poderão dar-se a este 'must', podendo este esclarecimento desmistificar alguns vinhos cujo custo é inferior ao seu próprio envelhecimento. Pelo menos na informação que indicam no contra rótulo.

 

Francisco Albuquerque

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Moinho a água é atracção em São Jorge

Com a devida vénia ao Jornal da Madeira


 


Tem mais de 300 anos e ainda funciona


 


Em São Jorge, mais concretamente no sítio da Achadinha, há uma atracção turística que tem registado a visita de muitos forasteiros. Falamos do moinho de água que tem para mais de 300 anos. Este moinho foi recuperado, no ano 2000, com o apoio do Governo Regional. Desde então, «visitam-nos turistas de toda a parte do Mundo», frisa Ana Rosa, uma das herdeiras daquele moinho e uma das pessoas que continua, diariamente, a deslocar-se até ao espaço em questão para moer o trigo ou, simplesmente, posar para a fotografia que os turistas fazem questão de tirar por forma a terem um registo para a posteridade.


 


«Eles fazem perguntas sobre como é que o moinho trabalha, tiram fotos, visitam todos os compartimentos da casa. Temos mobílias antigas e eles gostam de ver tudo», conta ainda esta senhora em declarações prestadas à "Olhar". O moinho está aberto todos os dias da semana, inclusive «aos domingos». Mas não se pense que são só os turistas que usufruem deste espaço. Os locais também procuram os serviços do moinho de água para moer o seu trigo. «Eles deixam aqui a quantidade do trigo, deixam o nome do sítio e o número de telefone. Quando está pronto, a gente liga e eles vêm buscar o seu produto», refere ainda, para logo acrescentar que o serviço é pago por maquia. De dez quilos a senhora Ana Rosa tira «um alqueire».


 


Ana Rosa diz que sempre trabalhou neste moinho desde que se lembra da sua existência. «Isto veio do meu pai e trabalho aqui desde criança», afirma. Esta senhora é de opinião que a recuperação do moinho foi um bom investimento tendo em conta a quantidade de visitantes que por ali passam. Ousa, inclusive, em nos adiantar umas frases que demonstram o quanto é importante aquele espaço para a freguesia de São Jorge:"Este moinho de águaconstruido no passado pelas pessoas antigastem muito significadovenham ver oh meus senhoreso moinho da Achadinhaele é por nós estimado"


 


Carla Ribeiro

quinta-feira, 8 de maio de 2008

"Hum valle fermoso cheyo de funcho até o mar"

Com a devida vénia ao Jornal da Madeira


 


« Funchal, a que o capitam deo este nome, por se fundar em hum valle fermoso de singular arvoredo, cheyo de funcho até o mar». Os descobridores ou primitivos povoadores, ao desembarcarem neste lugar, que depois foi vila e mais tarde cidade, depararam com a planta, que abundantemente vegetava no vale e que, sem demora e sem esforço, se começou a chamar Funchal tendo, o nome, sido dado pelo próprio João Gonçalves Zarco.


 



 


"Assim reza o texto do mais antigo e, talvez, até agora, mais completo documento escrito sobre a ilha da Madeira, as "Saudades da Terra" de Gaspar Frutuoso.


 


De facto afirma-se, comummente, que a umbelifera Foeniculum vulgare, que tem o nome de funcho, terá dado o nome ao Funchal. E não se conhecem razões ou factos que contradigam essa afirmativa. Mas, e estamos a reportar-nos ao "Elucidário Madeirense", uma pergunta ocorre fazer, não sendo a primeira vez que ela é formulada: «existindo, por certo, neste vale, árvores e plantas de grande porte, como iriam os descobridores dar-lhe de preferência o nome de um vegetal, que nem chega a ser um arbusto? É possível que no meio do maciço de árvores que povoavam o vale, houvesse uma clareira em que abundasse o funcho e que deste modo se destacasse da vegetação circunvizinha. Também se afirma que, nas mais próximas imediações do local do desembarque, depararam logo os descobridores com o funcho em abundância, e daí o fácil baptismo de Funchal dado ao lugar.


 


Certo, certo é que o nome ficou e hoje, na cidade capital, muitos são os locais, ruas e até escadinhas, conhecidos pelo nome da singela planta que deu nome a uma das mais conhecidas cidades do mundo, conhecimento levado pelos milhares de turistas que a visitam, vindos das sete partidas do globo.


 


E, a confirmar esta realidade, aqui se deixam, certamente nem todos, os nomes desses locais: FUNCHAL; Pico do Funcho; Beco do Funcho; Travessa do Pico do Funcho; Travessa Nova do Pico do Funcho; Escadinhas do Pico do Funcho; Caminho do Pico do Funcho; Azinhaga do Pico do Funcho; Escadinhas do Pico do Funcho; Vereda do Pico do Funcho; Levada do Pico do Funcho; 2ª Vereda do Pico do Funcho; Rua Nova do Pico do Funcho; Travessa do Pico do Funcho.


 


A Carta Régia de D. Manuel


 


O natural e sempre crescente desenvolvimento do Funchal em antigos tempos, tornando-o um importante empório comercial e um centro de grande actividade industrial e mercantil, plenamente justifica a medida tomada pelo rei D. Manuel na sua carta Regia de 21 de Agosto de 1508, elevando a vila do Funchal à categoria de cidade. Havia 50 anos que de simples povoação se fizera vila, e decorrido apenas meio século passa a ter os foros de cidade, a primeira que se criou nos nossos domínios ultramarinos:«Dom Manuel por graça de deos Rey de portugall & dos algarues daquem & daallem mar em africa Sennor de guinee & da comquista nauegaçom & comercio de ethioopia arabia persia & da yíndia. A quantos esta nosa carta birem fazemos sabeer que comsiramdo Nos como louuores a noso Sennor ha billa do Funchall na nosa ylha da madeyra tem creçido em mui grãde pouoraçom & como biuem nella muytos fidalguos caualleyros & pessoas homrradas e de gramdes fazendas pollas quaees e pollo gramde trauto da dita ylha esperamos com ajuda de noso Sennor que a dita billa muyto mays se emnobreça & acreçemte »


 


O funcho na Macaronésia


 


O funcho, nativo da bacia do Mediterrâneo, com variedades na Macaronésia e no Médio Oriente, sendo, a planta originária da Macaronésia designada por F. vulgare azoricum (Mill.) Thell., caracterizada por caules mais suculentos e doces e menor concentração de óleos essenciais, o que os torna facilmente comestíveis em fresco, sendo comercializada com a designação varietal de Florence. Esta forma da planta é espontânea nos Açores e na Madeira. Na Grécia Antiga o Funcho era designado por "marathon", estando na origem do nome Maratona (que afinal, em português seria Funchal), o local da mítica batalha de Maratona travada em 490 a.C. entre gregos e persas, e a mitologia grega diz que Prometeu usou um talo de funcho para roubar o fogo dos deuses.


 


É frequentemente utilizado em pequenas quantidades na cozinha mediterrânica como planta aromatizante, mas, pelas suas características aromáticas e pelos usos medicinais do anetol, o funcho tem sido utilizado, desde a antiguidade, sendo já cultivado no Antigo Egipto.


 


Octaviano Correia

domingo, 30 de março de 2008

Redescobrir a beleza da Lagoa do Caramujo

Com a devida vénia ao Jornal da Madeira


 


A saída para mais um passeio do Club Pés Livres aconteceu, como habitualmente, por volta das 8h, a partir do Palácio da Justiça, no Funchal. Dali o grupo partiu em direcção à Encumeada até chegar ao Lombo do Mouro. Ali começou a viagem a pé, de cerca de 6h30. Pela frente esperava-os 14 quilómetros e um grau de dificuldade de nível três. Mas no final, os 64 participantes gostaram.


 


Odílio Fernandes, do Club Pés Livres sublinha que este "é um percurso acessível a todas as pessoas mas para o qual é preciso haver alguma preparação, nas descidas, é preciso ter algum cuidado para não escorregar, é preciso ver bem onde colocar os pés".


 


Preparados física e mentalmente, foram pela Vereda do Mouro até chegarem à Bica da Cana e dali até à Casa do Caramujo. Segundo Odílio Fernandes, esta casa está abandonada e em ruínas, uma situação que o próprio lamenta. "É pena que a casa esteja assim, eu acho que tinha todo o interesse que a aquela casa fosse recuperada porque é património de todos nós, madeirenses".


 


No entender deste caminheiro, esta deve ter sido uma casa de uma pessoa mais abastada, uma espécie de residência de fim-de-semana. Esta casa fica situada acima da Lagoa do Caramujo, na zona da Bica da Cana. Houve oportunidade para o grupo disfrutar da paisagem da Lagoa do Caramujo. Odílio Fernandes enaltece a beleza da lagoa natural. Só está mais cheia no Inverno porque no Verão, a água é bem pouca ou nenhuma. "Por acaso tivemos sorte desta vez, a lagoa estava completamente cheia, talvez a 100%, lembro-me de há dois anos termos passado lá e de não ter 25% da água que tinha desta vez". Em seguida, o grupo desceu e teve que apanhar a levada velha, que foi toda recuperada.


 


Este é um dos trilhos que estava inserido no programa de recuperação das veredas e levadas, levado a cabo pelo Governo Regional. Neste como noutros percursos, e para que tudo decorra da melhor forma, os "Pés Livres" vai, sempre, fazer o reconhecimento do trilho, uma semana antes. Tendo em conta esta situação, o grupo resolveu alterar o final da caminhada, que era para terminar nas Ginjas mas, neste caso, terminou no Rosário.


 


O responsável explica que terminar nas Ginjas era um pouco maçador porque esse trilho, de 1.30h seria feito por cima de terra e pedras, por isso, não seria nada agradável. Durante o reconhecimento, "descobriram" esta levada, só que não sabiam que o caminho tinha sido recuperado, o que foi uma agradável surpresa. "Ainda bem que estava recuperado porque a descida é bastante inclinada, estava tudo bem arranjadinho, com degraus em madeira, que não fere a vista, não havia cimento, tudo o que está ali é natural, está extremamente bem feito", apontou.


 


O passeio acabou, por isso, no Rosário, em São Vicente e todas as pessoas gostaram do passeio. Para dar conta desta e de outras actividades, o Club faz uso do seu blog na internet (http://www.clubpeslivres.blogspot.com), onde não faltam os passeios realizados, quinzenalmente.


 


Posteriormente, as fotografias da caminhada são colocadas no site para consulta, juntamente, com alguns comentários. Os visitantes acabam, também, por deixar os seus comentários."O nosso blog tem tido bastante sucesso, as pessoas têm aderido em massa e vão lá deixar as suas opiniões", apontou.


 


Élia Freitas

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

"Pés Livres" inicia 2008 galgando três freguesias

Com a devida vénia ao Jornal da Madeira


 



 


Nada melhor que começar o ano em festa. Foi assim que o Club Pés Livres - Associação de Montanhismo da Madeira deu início ao seu programa de caminhadas a pé pelas levadas e veredas da nossa ilha.


 


Foi com um leve cheirinho, ainda, a Natal que tudo começou. Estava próximo o Dia de Reis, um bom pretexto para que no final houvesse festa e música.


 


O passeio começou nas Babosas (Funchal) onde o grupo de caminheiros, composto por mais de 50 pessoas arrancou para mais uma caminhada a pé, "uma zona bastante bonita e agradável", começou por explicar Odílio Fernandes, o fotógrafo de serviço dos "Pés Livres".


 


Dali seguiram sempre pela Levada dos Tornos até chegarem à Assomada, no Caniço. O passeio durou, sensivelmente, seis horas e é considerado com um grau de dificuldade de nível três devido à sua extensão de 14 quilómetros. A partir da Levada dos Tornos, situada numa cota acima dos 400 metros, é possível ter uma visão panorâmica sobre a cidade do Funchal. À medida que foram avançando, os caminheiros puderam alcançar toda a zona do Caniço, passando pelas Eiras. Depois foram desembocar numa zona chamada "Pereirinha", que fica próxima à vila da Camacha.


 


Nessa zona saíram da Levada dos Tornos, subiram um pouco a chamada Recta da Camacha e, em seguida, apanharam a Levada do Moinho até chegarem à Assomada.


 


Odílio Fernandes sublinha que a caminhada na levada é mais rápida porque o piso é plano. Já o restante trilho, devido às subidas e descidas que impõe mais dificuldades. "Um passeio na levada é diferente dos trilhos em que andamos a saltar e a descer pedras, por caminhos irregulares", apontou.


 


Por isso, e "em média, na levada, e a um bom ritmo, costumamos fazer entre três a três quilómetros e meio, por hora, a andar bem. No ritmo a que nós fomos, fizemos uma média de três quilómetros, por hora", explicou.


 


Durante esta caminhada de seis horas, o grupo acabou por passar por três freguesias. Das Babosas à Camacha foram cerca de quatro horas. Da Recta da Camacha até à parte de baixo da Assomada (Caniço) levaram as restantes duas horas. Odílio Fernandes garante que o percurso trilhado é agradável, pelo que, ao qual, normalmente aderem muitas pessoas. Vão sempre mais de 50. No final desta longa caminhada, houve lugar a um convívio na casa de um dos sócios do Club, o senhor Ângelo. No local, o grupo foi surpreendido pelos Reis Magos que lhes entoaram os devidos cânticos tendo em conta a proximidade daquela festa.


 


Esta é já uma prática frequente, por ocasião do Dia de Reis. Na casa do senhor Ângelo, todos os anos há sempre um "presépio extremamente bem feito e bonito, quase todo ele natural", referiu. O presépio é quase todo ele escavado na rocha. Para tal, o responsável aproveita uma zona circundante à casa que foi deixada a descoberto, aquando as escavações para a construção da moradia.


 


A esposa do senhor Ângelo, também, esmera-se para receber bem os caminhantes. O seu humanismo faz com que seja uma boa anfitriã. "É uma pessoa que trabalha com crianças portadoras de deficiência e, é por isso, bastante acessível, dócil e prestável e está sempre de portas e coração abertos para nos receber", apontou Odílio Fernandes.


 


Foi assim desta forma alegre e calorosa que o grupo arrancou para mais um ano de caminhadas, na esperança de que o seu exemplo mova outros mais, para que cultivem o gosto pela natureza, para que conheçam melhor o que é nosso e para que andem mais a pé.


 


 Élia Freitas

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Quem vê blogues não vê caras

Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira


 


A Madeira tem uma blogosfera em crescimento, muito dominada por assuntos ligados à política e aos partidos. Aqui ficam as caras e opiniões de alguns dos principais bloguistas madeirenses 


 



 


 "Existe uma demissão da participação cívica das pessoas não ligadas aos partidos políticos". A percepção de um dos conspiradores 'às 7', Gonçalo Santos, aplica-se tanto ao mundo real como ao virtual. Essa é uma das razões pelas quais o blogue 'conspiracaoas7.blogspot.com' pretende ser um espaço de participação cívica, tanto para os seus autores como para os visitantes. A designação Conspiração não tem um significado especial, nem pretende dar pistas sobre o tipo de conteúdo do blogue. "É um nome com alguma piada e que chama a atenção" explica Gonçalo Santos. 'Às 7' porque um amigo terá afirmado: "Todas as conspirações são às sete". Assim é. De resto, o bloguista é completamente contra algo precioso à conspiração, o segredo, o anonimato. Gonçalo Santos classifica de "execrável" os blogues e os comentários que, a coberto do anonimato, produzem julgamentos na praça pública, sem grande hipótese dos visados se defenderem. A opinião é de alguém que diz não ter razão de queixa do mundo virtual. Pois, como lembra, as maiores discordâncias acontecem com os companheiros de bolg. O 'conspiraçãoas7' regista um número de visitantes diários um pouco acima dos 100, com duas excepções. Foi quando o jornal Público o referenciou. Em cada um desses dias houve cerca 700 visitas.


 


BERDADEIRAMENTE INTERESSANTE


 


 "Uma 'mercearia blogosférica' do Norte da Madeira para todo o Mundo, onde tudo e todos têm lugar". É como o autor de um dos blogues de maior sucesso na Madeira define o seu espaço virtual. O 'berdades.blogspot.com' nasceu em Novembro de 2005 um pouco por curiosidade. Marcelino Teles explica que viu, num outro blogue, um link que dizia construa o seu blogue'. Abriu e foi por ali adiante. 'Berdades' foi a palavra escrita sem a percepção exacta de que esse seria o nome do blogue. Mais tarde acrescentou 'da boca p'ra fora'. Assim ficou completo o nome de um programa que na altura fazia na Rádio Santana, no qual era protagonista o 'Compadre Jode', que hoje se transferiu para a RDP. Tem uma média diária de acessos de 270, uma das mais elevadas conhecidas na Região. Tanta notoriedade que já despertou o interesse de algumas entidades para publicitarem produtos e serviços. Só uma o conseguiu, a 'Dr.a Solange' e é por permuta, não existe dinheiro envolvido. Antes de começar, Marcelino Teles achava que criar e manter um blogue seria uma tarefa difícil, até porque não sabia inglês. Mas descobriu que afinal é fácil. Além disso tem se empenhado em melhorar o seu espaço, para o que tem contado com a ajuda de outros bloguistas, não só da Madeira. O esforço tem valido a pena. A conhecida revista 'Exame Informática', no número do próximo mês, avalia o Berdades e gosta, apenas faz uma reparo. Algo que, com o humor que o caracteriza, Teles devolve. Sugere também à revista que o chame Teles, Marcelino Teles, e não Sapo, como o fez. Hoje, Teles, que trabalha no Tribunal Administrativo do Funchal, diz-se viciado no blogue, no qual investe cerca de uma hora e meia por dia, quase sempre à noite.


 


Como Gonçalo Santos, o bloguista não concorda com blogues anónimos. O máximo que está disposto a aceitar nessa condição é alguns comentários.


 


ULTRACONHECIDO


 


"Não se trata de desistir perante as críticas, porque essas comentam-se, rebatem-se, discutem-se. Trata-se de reagir e de resistir perante crápulas sem escrúpulos, pessoas que andam entre nós, que tomam uns copos com pessoas nossas conhecidas, que todos os dias entram e saem de instituições que depois criticam cumprimentado pessoas que enxovalham." Esta é a explicação que Luís Filipe Malheiro dá para, se não parar, pelo menos abrandar significativamente o seu ultraperiferias.blogspot.com. Apesar 'desactiviado', o blogue de Malheiro é provavelmente o de maior notoriedade na blogosfera madeirense. O Ainda secretário-geral adjunto do PSD e chefe de gabinete do presidente da Assembleia Legislativa muitas vezes assumiu opiniões no blogue que desagradaram não só adversários, como a companheiros de partido. Ganhou muitas inimizades.


 


POLITICAMENTE ASSUMIDO


 


 É presidente do grupo parlamentar do PS-Madeira e um caloiro na blogosfera da Madeira. Victor Freitas tem um blogue desde o dia 12 deste mês. Criou o replicaecontrareplica.blogspot.com pela necessidade que sentiu de transmitir o que pensa, mas também de receber opiniões. Será uma forma de melhor perceber a Madeira e de ajudar outros a fazerem o mesmo, de um ponto de vista político. Victor Freitas pretende fugir à ditadura da agenda mediática e, de alguma forma, poder lançar temas e notícias que não estejam na comunicação social.


 


Investe cerca de uma hora diária nessa actividade e já começa a recolher os frutos. Em apenas duas semanas, conta mais de 2.000 acessos.


 


Outro blogue maioritariamente dedicado a assuntos políticos é o urbanidades-madeira.blogspot.com de Rui Caetano. O professor e coordenador autárquico do PS sente-se bastante recompensado com o seu blogue. Costuma actualizá-lo à noite, quando regressa das aulas, ou de manhã, para o que chega a levantar-se mais cedo. Ainda hesitou em entrar no mundo da blogosfera, mas deixou-se convencer pela mulher e pelos amigos. "Acabei por apanhar o vício", confessa. As cerca de 120 visitas diárias ao site são apenas um dos incentivos. A oportunidade de comunicar e até conhecer pessoas atraio-o. Outro dado que revela com satisfação é que já 'reencontrou' três amigos, que havia muito tinha perdido o rasto.


 


Com um cariz também político, mas menos marcado, está o blogue do ex-presidente da JP, Roberto Rodrigues. Desenhador, a trabalhar na Câmara da Ponta do Sol, é, dos bloguistas contactados, o que diz gastar menos tempo diário com o mundo virtual. Cerca de um quarto de hora por dia. O grande incentivo é a possibilidade de "passar para fora o que pensamos sobre diversas temáticas". Em cortardadireita.blogspot.com, Roberto Rodrigues fala um pouco de tudo, desde a política à filatelia, passando pela arquitectura. Conta mensalmente com mais de 3.000 visitantes. Um número que considera aliciante.


 


A seguir deixamos uma relação de blogues madeirenses, da qual se exclui todos os de autor não identificado. Muitos mais haverá, mas ainda existe espaço para muitos outros, principalmente os que visam uma participação cívica, à semelhança do que já vai acontecendo no resto do país.


 


Blogues madeirenses


 


http://a-minha-teia.blogspot.com Natalie Afonseca


 


http://abrupto.blogspot.com José Pacheco Pereira


 


http://amorsemedo.blogspot.com Anete Marques Joaquim


 


http://apontamentossemnome.blogspot.com Carlos Pereira


 


http://atitudejota.blogspot.com JSD


 


 http://bastaqsim.blogspot.com Miguel Luís da Fonseca


 


http://berdades.blogspot.com Marcelino Teles


 


http://bertahelena.blogspot.com Berta Helena


 


http://bestofmadeira.blogspot.com Nuno Morna


 


http://bisbis.blogspot.com Amigos do Parque Ecológico


 


http://bmfunchal.blogs.sapo.pt Biblioteca Municipal do Funchal


 


http://buzico.blogs.sapo.pt Virgílio Nóbrega


 


http://casadopovodafajadaovelha.blogspot.com Casa do Povo da Fajã da Ovelha


 


http://cp-saoroquedofaial..blogspot.com Casa do Povo São Roque do Faial


 


http://conspiracaoas7.blogspot.com Sancho Gomes, Bruno Macedo, Angelino Câmara, Carlos Rodrigues, Teresa Ruel, Magno


 


http://cortardadireita.blogspot.com Roberto Rodrigues


 


http://escorregadacurvadegauss.blogspot.com Vera Barros


 


http://esquerdarevolucionaria.blogspot.com Roberto Almada


 


http://estrangeiros.blogspot.com Vitor Sousa


 


http://funchal.blogspot.com Ricardo Figueira


 


http://furiadocajado.blogspot.com Figueiredo Robles


 


http://gastronomiamadeira.blogspot.com Miguel Fernandes


 


http://horamadeira.blogs.sapo.pt Alberto Pita


 


http://ilhadamadeira.weblog.com.pt João Carvalho Fernandes


 


http://madeirasurf.blogspot.com Orlando Pereira


 


http://o-rabo-do-gato.blogspot.com Lília Mata


 


http://olhodefogo.blogspot.com Nélio Sousa


 


http://pensamadeira.blogspot.com António Freitas


 


http://podeserliberdade.blogspot.com Agostinho Soares


 


http://porta34.blogspot.com Miguel Donato, Lénia Serrão, Luís Filipe Santos


 


http://radioliberdade.com.sapo.pt Eduardo Fonseca


 


http://replicaecontrareplica.blogspot.com Victor Freitas


 


http://rodinet.blogspot.com Rodolfo Gouveia


 


http://shinobi-myasianmovies.blogspot.com Jorge Soares


 


http://sobrevoando.blogspot.com Luís Vilhena


 


http://ultraperiferias.blogspot.com Luís Filipe Malheiro


 


http://urbanidades-madeira.blogspot.com Rui Caetano.


 


Élvio Passos

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

LEVADA DO FURADO

Via: Turismo da Madeira


 


Esta levada, com início no Ribeiro Frio, é uma das mais antigas levadas públicas, tendo sido adquirida pelo Estado para irrigar os campos agrícolas do Porto da Cruz. Este trilho termina com uma descida até à Portela.


 


Distância: 11 Km Tempo: 5h Altitude máxima: 870 m Altitude mínima: 520 m Início: E.R. 303 (Ribeiro Frio) Fim: E.R. 102 (Portela)


Perigo de vertigens


Existência de túneis, leve lanterna


O piso pode estar escorregadio, leve calçado antiderrapante


 


Este trilho inicia-se no Ribeiro Frio, concelho de Santana e, ao longo da cota dos 860 m de altitude, acompanhamos a esplanada da Levada da Serra do Faial até à casa de divisão de águas, descendo até à zona dos Lamaceiros e finalizando no miradouro da Portela, no concelho de Machico. A Levada do Furado é uma das mais antigas levadas pertencentes ao estado, tendo sido adquirida por contrato celebrado no ano de 1822 entre o primeiro Conde de Carvalhal e a Junta da Real Fazenda, e cujo destino era irrigar os campos agrícolas do Porto da Cruz. Devido à ligação com as levadas do Juncal e da Serra do Faial, que a ela se juntam logo no seu início e continuam para além do seu terminus no sítio dos Lamaceiros, diz-se que esta levada transporta três águas; aquela que sendo recolhida no vale do Ribeiro Frio rega os poios do Porto da Cruz; e as que vindo das serras de Santana são armazenadas na Lagoa do Santo da Serra para posterior distribuição. Ao longo desta levada podemos contemplar os multivariados tons de verde, proporcionados pela bem conservada mancha de floresta natural da ilha - Floresta Laurissilva constituída predominantemente pelo Loureiro (Laurus azorica), Folhado (Clethra arborea), Til (Ocotea foetens), Vinhático (Persea indica), destacando-se ainda o Isoplexis (Isoplexis sceptrum), o Massaroco (Echium candicans), as Estreleiras (Argyranthemum pinnatifidum), a Orquídea da Serra (Dactylorhiza foliosa).


 


É possível avistar o Bisbis (Regulus ignicapillus madeirensis), o mais pequeno pássaro que povoa a Madeira, e o destemido Tentilhão (Fringila coelebs). Mais raro será o Pombo Trocaz (Columba trocaz trocaz) espécie endémica da Madeira. A paisagem é dominada pelo vale do Ribeiro Frio onde são surpreendentes os campos agrícolas do Faial, São Roque do Faial e Porto da Cruz.


 


A espectacular massa rochosa da Penha de Águia que protege a oriente a baía do Faial, e a ocidente a Ponta dos Clérigos. É no sítio dos Lamaceiros que se separam as águas, e é aqui que acaba a Levada do Furado e onde se inicia a descida para a Portela. Atravessando a zona florestal e o Posto Florestal dos Lamaceiros, o percurso continua pela estrada de terra até se encontrar a Levada da Portela, que ladeia pela esquerda o Lombo das Faias, terminando ao encontrar a Estrada Regional ER102.


 


MAPA