domingo, 30 de março de 2008

Redescobrir a beleza da Lagoa do Caramujo

Com a devida vénia ao Jornal da Madeira


 


A saída para mais um passeio do Club Pés Livres aconteceu, como habitualmente, por volta das 8h, a partir do Palácio da Justiça, no Funchal. Dali o grupo partiu em direcção à Encumeada até chegar ao Lombo do Mouro. Ali começou a viagem a pé, de cerca de 6h30. Pela frente esperava-os 14 quilómetros e um grau de dificuldade de nível três. Mas no final, os 64 participantes gostaram.


 


Odílio Fernandes, do Club Pés Livres sublinha que este "é um percurso acessível a todas as pessoas mas para o qual é preciso haver alguma preparação, nas descidas, é preciso ter algum cuidado para não escorregar, é preciso ver bem onde colocar os pés".


 


Preparados física e mentalmente, foram pela Vereda do Mouro até chegarem à Bica da Cana e dali até à Casa do Caramujo. Segundo Odílio Fernandes, esta casa está abandonada e em ruínas, uma situação que o próprio lamenta. "É pena que a casa esteja assim, eu acho que tinha todo o interesse que a aquela casa fosse recuperada porque é património de todos nós, madeirenses".


 


No entender deste caminheiro, esta deve ter sido uma casa de uma pessoa mais abastada, uma espécie de residência de fim-de-semana. Esta casa fica situada acima da Lagoa do Caramujo, na zona da Bica da Cana. Houve oportunidade para o grupo disfrutar da paisagem da Lagoa do Caramujo. Odílio Fernandes enaltece a beleza da lagoa natural. Só está mais cheia no Inverno porque no Verão, a água é bem pouca ou nenhuma. "Por acaso tivemos sorte desta vez, a lagoa estava completamente cheia, talvez a 100%, lembro-me de há dois anos termos passado lá e de não ter 25% da água que tinha desta vez". Em seguida, o grupo desceu e teve que apanhar a levada velha, que foi toda recuperada.


 


Este é um dos trilhos que estava inserido no programa de recuperação das veredas e levadas, levado a cabo pelo Governo Regional. Neste como noutros percursos, e para que tudo decorra da melhor forma, os "Pés Livres" vai, sempre, fazer o reconhecimento do trilho, uma semana antes. Tendo em conta esta situação, o grupo resolveu alterar o final da caminhada, que era para terminar nas Ginjas mas, neste caso, terminou no Rosário.


 


O responsável explica que terminar nas Ginjas era um pouco maçador porque esse trilho, de 1.30h seria feito por cima de terra e pedras, por isso, não seria nada agradável. Durante o reconhecimento, "descobriram" esta levada, só que não sabiam que o caminho tinha sido recuperado, o que foi uma agradável surpresa. "Ainda bem que estava recuperado porque a descida é bastante inclinada, estava tudo bem arranjadinho, com degraus em madeira, que não fere a vista, não havia cimento, tudo o que está ali é natural, está extremamente bem feito", apontou.


 


O passeio acabou, por isso, no Rosário, em São Vicente e todas as pessoas gostaram do passeio. Para dar conta desta e de outras actividades, o Club faz uso do seu blog na internet (http://www.clubpeslivres.blogspot.com), onde não faltam os passeios realizados, quinzenalmente.


 


Posteriormente, as fotografias da caminhada são colocadas no site para consulta, juntamente, com alguns comentários. Os visitantes acabam, também, por deixar os seus comentários."O nosso blog tem tido bastante sucesso, as pessoas têm aderido em massa e vão lá deixar as suas opiniões", apontou.


 


Élia Freitas

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

"Pés Livres" inicia 2008 galgando três freguesias

Com a devida vénia ao Jornal da Madeira


 



 


Nada melhor que começar o ano em festa. Foi assim que o Club Pés Livres - Associação de Montanhismo da Madeira deu início ao seu programa de caminhadas a pé pelas levadas e veredas da nossa ilha.


 


Foi com um leve cheirinho, ainda, a Natal que tudo começou. Estava próximo o Dia de Reis, um bom pretexto para que no final houvesse festa e música.


 


O passeio começou nas Babosas (Funchal) onde o grupo de caminheiros, composto por mais de 50 pessoas arrancou para mais uma caminhada a pé, "uma zona bastante bonita e agradável", começou por explicar Odílio Fernandes, o fotógrafo de serviço dos "Pés Livres".


 


Dali seguiram sempre pela Levada dos Tornos até chegarem à Assomada, no Caniço. O passeio durou, sensivelmente, seis horas e é considerado com um grau de dificuldade de nível três devido à sua extensão de 14 quilómetros. A partir da Levada dos Tornos, situada numa cota acima dos 400 metros, é possível ter uma visão panorâmica sobre a cidade do Funchal. À medida que foram avançando, os caminheiros puderam alcançar toda a zona do Caniço, passando pelas Eiras. Depois foram desembocar numa zona chamada "Pereirinha", que fica próxima à vila da Camacha.


 


Nessa zona saíram da Levada dos Tornos, subiram um pouco a chamada Recta da Camacha e, em seguida, apanharam a Levada do Moinho até chegarem à Assomada.


 


Odílio Fernandes sublinha que a caminhada na levada é mais rápida porque o piso é plano. Já o restante trilho, devido às subidas e descidas que impõe mais dificuldades. "Um passeio na levada é diferente dos trilhos em que andamos a saltar e a descer pedras, por caminhos irregulares", apontou.


 


Por isso, e "em média, na levada, e a um bom ritmo, costumamos fazer entre três a três quilómetros e meio, por hora, a andar bem. No ritmo a que nós fomos, fizemos uma média de três quilómetros, por hora", explicou.


 


Durante esta caminhada de seis horas, o grupo acabou por passar por três freguesias. Das Babosas à Camacha foram cerca de quatro horas. Da Recta da Camacha até à parte de baixo da Assomada (Caniço) levaram as restantes duas horas. Odílio Fernandes garante que o percurso trilhado é agradável, pelo que, ao qual, normalmente aderem muitas pessoas. Vão sempre mais de 50. No final desta longa caminhada, houve lugar a um convívio na casa de um dos sócios do Club, o senhor Ângelo. No local, o grupo foi surpreendido pelos Reis Magos que lhes entoaram os devidos cânticos tendo em conta a proximidade daquela festa.


 


Esta é já uma prática frequente, por ocasião do Dia de Reis. Na casa do senhor Ângelo, todos os anos há sempre um "presépio extremamente bem feito e bonito, quase todo ele natural", referiu. O presépio é quase todo ele escavado na rocha. Para tal, o responsável aproveita uma zona circundante à casa que foi deixada a descoberto, aquando as escavações para a construção da moradia.


 


A esposa do senhor Ângelo, também, esmera-se para receber bem os caminhantes. O seu humanismo faz com que seja uma boa anfitriã. "É uma pessoa que trabalha com crianças portadoras de deficiência e, é por isso, bastante acessível, dócil e prestável e está sempre de portas e coração abertos para nos receber", apontou Odílio Fernandes.


 


Foi assim desta forma alegre e calorosa que o grupo arrancou para mais um ano de caminhadas, na esperança de que o seu exemplo mova outros mais, para que cultivem o gosto pela natureza, para que conheçam melhor o que é nosso e para que andem mais a pé.


 


 Élia Freitas

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Quem vê blogues não vê caras

Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira


 


A Madeira tem uma blogosfera em crescimento, muito dominada por assuntos ligados à política e aos partidos. Aqui ficam as caras e opiniões de alguns dos principais bloguistas madeirenses 


 



 


 "Existe uma demissão da participação cívica das pessoas não ligadas aos partidos políticos". A percepção de um dos conspiradores 'às 7', Gonçalo Santos, aplica-se tanto ao mundo real como ao virtual. Essa é uma das razões pelas quais o blogue 'conspiracaoas7.blogspot.com' pretende ser um espaço de participação cívica, tanto para os seus autores como para os visitantes. A designação Conspiração não tem um significado especial, nem pretende dar pistas sobre o tipo de conteúdo do blogue. "É um nome com alguma piada e que chama a atenção" explica Gonçalo Santos. 'Às 7' porque um amigo terá afirmado: "Todas as conspirações são às sete". Assim é. De resto, o bloguista é completamente contra algo precioso à conspiração, o segredo, o anonimato. Gonçalo Santos classifica de "execrável" os blogues e os comentários que, a coberto do anonimato, produzem julgamentos na praça pública, sem grande hipótese dos visados se defenderem. A opinião é de alguém que diz não ter razão de queixa do mundo virtual. Pois, como lembra, as maiores discordâncias acontecem com os companheiros de bolg. O 'conspiraçãoas7' regista um número de visitantes diários um pouco acima dos 100, com duas excepções. Foi quando o jornal Público o referenciou. Em cada um desses dias houve cerca 700 visitas.


 


BERDADEIRAMENTE INTERESSANTE


 


 "Uma 'mercearia blogosférica' do Norte da Madeira para todo o Mundo, onde tudo e todos têm lugar". É como o autor de um dos blogues de maior sucesso na Madeira define o seu espaço virtual. O 'berdades.blogspot.com' nasceu em Novembro de 2005 um pouco por curiosidade. Marcelino Teles explica que viu, num outro blogue, um link que dizia construa o seu blogue'. Abriu e foi por ali adiante. 'Berdades' foi a palavra escrita sem a percepção exacta de que esse seria o nome do blogue. Mais tarde acrescentou 'da boca p'ra fora'. Assim ficou completo o nome de um programa que na altura fazia na Rádio Santana, no qual era protagonista o 'Compadre Jode', que hoje se transferiu para a RDP. Tem uma média diária de acessos de 270, uma das mais elevadas conhecidas na Região. Tanta notoriedade que já despertou o interesse de algumas entidades para publicitarem produtos e serviços. Só uma o conseguiu, a 'Dr.a Solange' e é por permuta, não existe dinheiro envolvido. Antes de começar, Marcelino Teles achava que criar e manter um blogue seria uma tarefa difícil, até porque não sabia inglês. Mas descobriu que afinal é fácil. Além disso tem se empenhado em melhorar o seu espaço, para o que tem contado com a ajuda de outros bloguistas, não só da Madeira. O esforço tem valido a pena. A conhecida revista 'Exame Informática', no número do próximo mês, avalia o Berdades e gosta, apenas faz uma reparo. Algo que, com o humor que o caracteriza, Teles devolve. Sugere também à revista que o chame Teles, Marcelino Teles, e não Sapo, como o fez. Hoje, Teles, que trabalha no Tribunal Administrativo do Funchal, diz-se viciado no blogue, no qual investe cerca de uma hora e meia por dia, quase sempre à noite.


 


Como Gonçalo Santos, o bloguista não concorda com blogues anónimos. O máximo que está disposto a aceitar nessa condição é alguns comentários.


 


ULTRACONHECIDO


 


"Não se trata de desistir perante as críticas, porque essas comentam-se, rebatem-se, discutem-se. Trata-se de reagir e de resistir perante crápulas sem escrúpulos, pessoas que andam entre nós, que tomam uns copos com pessoas nossas conhecidas, que todos os dias entram e saem de instituições que depois criticam cumprimentado pessoas que enxovalham." Esta é a explicação que Luís Filipe Malheiro dá para, se não parar, pelo menos abrandar significativamente o seu ultraperiferias.blogspot.com. Apesar 'desactiviado', o blogue de Malheiro é provavelmente o de maior notoriedade na blogosfera madeirense. O Ainda secretário-geral adjunto do PSD e chefe de gabinete do presidente da Assembleia Legislativa muitas vezes assumiu opiniões no blogue que desagradaram não só adversários, como a companheiros de partido. Ganhou muitas inimizades.


 


POLITICAMENTE ASSUMIDO


 


 É presidente do grupo parlamentar do PS-Madeira e um caloiro na blogosfera da Madeira. Victor Freitas tem um blogue desde o dia 12 deste mês. Criou o replicaecontrareplica.blogspot.com pela necessidade que sentiu de transmitir o que pensa, mas também de receber opiniões. Será uma forma de melhor perceber a Madeira e de ajudar outros a fazerem o mesmo, de um ponto de vista político. Victor Freitas pretende fugir à ditadura da agenda mediática e, de alguma forma, poder lançar temas e notícias que não estejam na comunicação social.


 


Investe cerca de uma hora diária nessa actividade e já começa a recolher os frutos. Em apenas duas semanas, conta mais de 2.000 acessos.


 


Outro blogue maioritariamente dedicado a assuntos políticos é o urbanidades-madeira.blogspot.com de Rui Caetano. O professor e coordenador autárquico do PS sente-se bastante recompensado com o seu blogue. Costuma actualizá-lo à noite, quando regressa das aulas, ou de manhã, para o que chega a levantar-se mais cedo. Ainda hesitou em entrar no mundo da blogosfera, mas deixou-se convencer pela mulher e pelos amigos. "Acabei por apanhar o vício", confessa. As cerca de 120 visitas diárias ao site são apenas um dos incentivos. A oportunidade de comunicar e até conhecer pessoas atraio-o. Outro dado que revela com satisfação é que já 'reencontrou' três amigos, que havia muito tinha perdido o rasto.


 


Com um cariz também político, mas menos marcado, está o blogue do ex-presidente da JP, Roberto Rodrigues. Desenhador, a trabalhar na Câmara da Ponta do Sol, é, dos bloguistas contactados, o que diz gastar menos tempo diário com o mundo virtual. Cerca de um quarto de hora por dia. O grande incentivo é a possibilidade de "passar para fora o que pensamos sobre diversas temáticas". Em cortardadireita.blogspot.com, Roberto Rodrigues fala um pouco de tudo, desde a política à filatelia, passando pela arquitectura. Conta mensalmente com mais de 3.000 visitantes. Um número que considera aliciante.


 


A seguir deixamos uma relação de blogues madeirenses, da qual se exclui todos os de autor não identificado. Muitos mais haverá, mas ainda existe espaço para muitos outros, principalmente os que visam uma participação cívica, à semelhança do que já vai acontecendo no resto do país.


 


Blogues madeirenses


 


http://a-minha-teia.blogspot.com Natalie Afonseca


 


http://abrupto.blogspot.com José Pacheco Pereira


 


http://amorsemedo.blogspot.com Anete Marques Joaquim


 


http://apontamentossemnome.blogspot.com Carlos Pereira


 


http://atitudejota.blogspot.com JSD


 


 http://bastaqsim.blogspot.com Miguel Luís da Fonseca


 


http://berdades.blogspot.com Marcelino Teles


 


http://bertahelena.blogspot.com Berta Helena


 


http://bestofmadeira.blogspot.com Nuno Morna


 


http://bisbis.blogspot.com Amigos do Parque Ecológico


 


http://bmfunchal.blogs.sapo.pt Biblioteca Municipal do Funchal


 


http://buzico.blogs.sapo.pt Virgílio Nóbrega


 


http://casadopovodafajadaovelha.blogspot.com Casa do Povo da Fajã da Ovelha


 


http://cp-saoroquedofaial..blogspot.com Casa do Povo São Roque do Faial


 


http://conspiracaoas7.blogspot.com Sancho Gomes, Bruno Macedo, Angelino Câmara, Carlos Rodrigues, Teresa Ruel, Magno


 


http://cortardadireita.blogspot.com Roberto Rodrigues


 


http://escorregadacurvadegauss.blogspot.com Vera Barros


 


http://esquerdarevolucionaria.blogspot.com Roberto Almada


 


http://estrangeiros.blogspot.com Vitor Sousa


 


http://funchal.blogspot.com Ricardo Figueira


 


http://furiadocajado.blogspot.com Figueiredo Robles


 


http://gastronomiamadeira.blogspot.com Miguel Fernandes


 


http://horamadeira.blogs.sapo.pt Alberto Pita


 


http://ilhadamadeira.weblog.com.pt João Carvalho Fernandes


 


http://madeirasurf.blogspot.com Orlando Pereira


 


http://o-rabo-do-gato.blogspot.com Lília Mata


 


http://olhodefogo.blogspot.com Nélio Sousa


 


http://pensamadeira.blogspot.com António Freitas


 


http://podeserliberdade.blogspot.com Agostinho Soares


 


http://porta34.blogspot.com Miguel Donato, Lénia Serrão, Luís Filipe Santos


 


http://radioliberdade.com.sapo.pt Eduardo Fonseca


 


http://replicaecontrareplica.blogspot.com Victor Freitas


 


http://rodinet.blogspot.com Rodolfo Gouveia


 


http://shinobi-myasianmovies.blogspot.com Jorge Soares


 


http://sobrevoando.blogspot.com Luís Vilhena


 


http://ultraperiferias.blogspot.com Luís Filipe Malheiro


 


http://urbanidades-madeira.blogspot.com Rui Caetano.


 


Élvio Passos

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

LEVADA DO FURADO

Via: Turismo da Madeira


 


Esta levada, com início no Ribeiro Frio, é uma das mais antigas levadas públicas, tendo sido adquirida pelo Estado para irrigar os campos agrícolas do Porto da Cruz. Este trilho termina com uma descida até à Portela.


 


Distância: 11 Km Tempo: 5h Altitude máxima: 870 m Altitude mínima: 520 m Início: E.R. 303 (Ribeiro Frio) Fim: E.R. 102 (Portela)


Perigo de vertigens


Existência de túneis, leve lanterna


O piso pode estar escorregadio, leve calçado antiderrapante


 


Este trilho inicia-se no Ribeiro Frio, concelho de Santana e, ao longo da cota dos 860 m de altitude, acompanhamos a esplanada da Levada da Serra do Faial até à casa de divisão de águas, descendo até à zona dos Lamaceiros e finalizando no miradouro da Portela, no concelho de Machico. A Levada do Furado é uma das mais antigas levadas pertencentes ao estado, tendo sido adquirida por contrato celebrado no ano de 1822 entre o primeiro Conde de Carvalhal e a Junta da Real Fazenda, e cujo destino era irrigar os campos agrícolas do Porto da Cruz. Devido à ligação com as levadas do Juncal e da Serra do Faial, que a ela se juntam logo no seu início e continuam para além do seu terminus no sítio dos Lamaceiros, diz-se que esta levada transporta três águas; aquela que sendo recolhida no vale do Ribeiro Frio rega os poios do Porto da Cruz; e as que vindo das serras de Santana são armazenadas na Lagoa do Santo da Serra para posterior distribuição. Ao longo desta levada podemos contemplar os multivariados tons de verde, proporcionados pela bem conservada mancha de floresta natural da ilha - Floresta Laurissilva constituída predominantemente pelo Loureiro (Laurus azorica), Folhado (Clethra arborea), Til (Ocotea foetens), Vinhático (Persea indica), destacando-se ainda o Isoplexis (Isoplexis sceptrum), o Massaroco (Echium candicans), as Estreleiras (Argyranthemum pinnatifidum), a Orquídea da Serra (Dactylorhiza foliosa).


 


É possível avistar o Bisbis (Regulus ignicapillus madeirensis), o mais pequeno pássaro que povoa a Madeira, e o destemido Tentilhão (Fringila coelebs). Mais raro será o Pombo Trocaz (Columba trocaz trocaz) espécie endémica da Madeira. A paisagem é dominada pelo vale do Ribeiro Frio onde são surpreendentes os campos agrícolas do Faial, São Roque do Faial e Porto da Cruz.


 


A espectacular massa rochosa da Penha de Águia que protege a oriente a baía do Faial, e a ocidente a Ponta dos Clérigos. É no sítio dos Lamaceiros que se separam as águas, e é aqui que acaba a Levada do Furado e onde se inicia a descida para a Portela. Atravessando a zona florestal e o Posto Florestal dos Lamaceiros, o percurso continua pela estrada de terra até se encontrar a Levada da Portela, que ladeia pela esquerda o Lombo das Faias, terminando ao encontrar a Estrada Regional ER102.


 


MAPA

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Festival de Passeios a Pé da Madeira


 


15 a 19 de Janeiro de 2008


 


As ilhas da Madeira e Porto Santo oferecem alguns dos mais aprazíveis passeios a pé que se podem imaginar. Então, que melhor lugar do que este para realizar um festival de passeios a pé? Uma celebração de tudo o que de bom existe sobre a mais popular das actividades de lazer.


 


O Arquipélago da Madeira é conhecido pelo seu clima ameno e tempo geralmente estável. O mês de Janeiro não é excepção. Enquanto os caminhantes estão a enfrentar o rigor do Inverno na Europa Continental, aqui na Madeira gozamos de um período de calma que você achará refrescante. Não podemos afirmar que na Madeira não chove; claro que chove, por isso a nossa paisagem é tão luxuriante e colorida. Mas quando chove, ela (a chuva) é sempre bem-vinda.


 


Durante todo o ano, o Arquipélago da Madeira - o Jardim Flutuante do Atlântico - está repleto de cor e oferece um ambiente revigorante para qualquer caminhante. Ligado por canais de água estreitos - as levadas - que possibilitam infindáveis passeios a pé, o coração da ilha ergue-se em picos vulcânicos impressionantes, percursos sinuosos do melhor que há, mas contrabalançados por alternativas mais fáceis e percursos costeiros de cortar verdadeiramente a respiração. O Arquipélago da Madeira é um microcosmo de beleza, um lugar onde a flora e a fauna abundam tanto na superfície da terra como nas profundezas dos mares circundantes. Você não pode deixar de gostar deste lugar. Mas não acredite cegamente em tudo o que dizemos, venha e comprove você mesmo! Venha e participe na primeira edição do Festival de Passeios a Pé da Madeira!


 


Calendário dos passeios a pé

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

De São Jorge ao Arco pela vereda da Moitadinha

Com a devida vénia ao Jornal da Madeira

 

O passeio que lhe apresentamos esta semana leva-o a conhecer uma zona do norte da ilha. Trata-se do percurso entre as Cabanas de São Jorge e o Arco de São Jorge, que leva os caminheiros a atravessar um antigo caminho municipal, a chamada Vereda da Moitadinha. Este percurso tem cerca de 12 quilómetros e dura, sensivelmente, cinco horas. É acessível, pese embora as descidas. Nesta caminhada somos guiados por Odilio Fernandes, o fotógrafo de serviço do Club Pés Livres — Associação de Montanhismo da Madeira…

 

 

Esta semana, o fotógrafo de serviço do Club Pés Livres guia-nos através das suas fotos e, também, das suas palavras em mais um percurso pedestre realizado por aquela Associação de Montanhismo da Madeira. Odilio Fernandes dá-nos a conhecer um trilho bem bonito, no norte da ilha, entre as Cabanas de São Jorge e o Arco de São Jorge, por um antigo caminho municipal, a chamada Vereda da Moitadinha.

 

Este passeio de cerca de 12 quilómetros dura, sensivelmente, cinco horas. É acessível, pese embora as descidas. Quase 80% do passeio é, sempre a descer até chegar à Entrosa, no Arco de São Jorge, explicou o responsável. A entrada para este trilho passa, praticamente, despercebida. O percurso tem início no miradouro das Cabanas, depois é necessário trilhar um piso de alcatrão de cerca de 500 metros, logo após encontra-se uma descida bastante acentuada. Os degraus são de cimento mas em tempos a escadaria era de xisto. Esta descida, por ser bastante inclinada, requer algum esforço dos joelhos. No fim da descida, os caminheiros chegaram a uma recta onde se depararam com um grande roseiral que é pertença do presidente da Câmara Municipal do Funchal. Após andarem um pouco sobre um piso de alcatrão, alcançaram a entrada da vereda da Moitadinha, que fica junto a um pequeno bar. A entrada é discreta.

 

Esta vereda faz a ligação entre São Jorge e o Arco de São Jorge, mais concretamente, até à Entrosa. Em tempos, esta vereda era um caminho municipal que era usado pelos residentes para se deslocarem mais facilmente entre as duas freguesias. A vereda tem cerca de dois metros de largura, por isso, a passagem é acessível. Toda ela é coberta pela típica calçada madeirense, de pedra miudinha. A partir dali, ao olharem para baixo, os caminheiros puderam avistar o mar. No local existe um varandim em ferro para proteger de eventuais quedas. “A descida faz-se bem, é suave”, garante Odilio Fernandes. Contudo, “há que ter um certo cuidado porque, por vezes, escorrega um pouco”.Depois, o grupo teve que atravessar um caminho que está, praticamente, escavado na rocha. Durante este troço, os caminheiros encontraram muita vegetação, a destacar o maçaroco, uma das plantas típicas madeirenses.

 

Onde o mar e a serra se encontram

 

A partir do largo situado à beira-mar puderam avistar as serras e o mar, por baixo, a bater.Odilio Fernandes reiterou, por isso, que o passeio é acessível a qualquer pessoa, porque não apresenta grandes riscos. “O risco maior é a primeira descida desde as Cabanas até cá abaixo. O resto do trilho é, praticamente, plano”, sublinhou.

 

No Arco de São Jorge, junto à praia, onde termina o passeio, é possível avistar todo o trilho marcado, até a própria vereda. No local, o miradouro e um restaurante relativamente recente convidam a uma pausa. Por situar-se à beira-mar, a zona é agradável devido à temperatura que, de uma forma geral, está sempre boa. Em tempos, muitas pessoas iam até aquela zona para pescarem onde o verde da vegetação densa se destaca.“

 

É uma zona bonita porque tem o mar e a serra. É maravilhoso. É um passeio descontraído, não precisa de grandes cuidados”, reiterou.

 

Contudo, Odílio Fernandes aconselha a que os caminheiros levem um bordão, sobretudo, para as descidas. “Faz sempre jeito, faço minhas as palavras do Isidro Santos, é uma terceira perna, sobretudo, para a zona dos degraus onde tem início o passeio porque é um pouco violento para os joelhos. São mais de 500 degraus”.

 

Aquela zona é um pouco fechada e o sol, por vezes, não abunda, de maneira que os degraus ficam com algum lodo. Por isso, é preciso algum cuidado para não escorregar.Outro dos aspectos a destacar na zona da Entrosa são os vestígios de um antigo engenho, que remete os caminheiros para muitas décadas atrás. “Até parece que nem estamos na Madeira, parece que andamos atrás no tempo. São coisas do século passado, parte da pedra ainda está emparelhada, nomeadamente, as paredes mas o tecto já não existe”, apontou.

 

Parte da maquinaria antiga, nomeadamente, rodas em ferro resistem à degradação que a proximidade do mar provoca. Odílio Fernandes reitera que aquele espaço poderia ser recuperado porque “seria mais uma atracção turística”. Quer seja pelas ruínas, quer seja pela vegetação e pelo encontro da serra com o mar, aqui fica mais esta sugestão para quem gosta de caminhar a pé e desbravar os caminhos da nossa ilha…

 

Élia Freitas